Vídeo: ministro do STF autoriza liberação de gravação na íntegra de Bolsonaro

O vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, segundo o ex-ministro Sergio Moro, contém uma "ameaça" de demissão do chefe do Executivo ao ex-titular da Segurança Pública. Moro havia se recusado a aceitar a troca do comando na Polícia Federal


Foto: Carlos Moura/STF.

Equipe Focus.Jor
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O ministro Celso de Mello autorizou a divulgação na íntegra do vídeo da reunião ministerial de 22 abril. Nela participaram o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. O vídeo, segundo Moro, contém uma “ameaça” de demissão do chefe do Executivo ao ex-titular da Segurança Pública pelo fato de ele recursar a troca do comando na Polícia Federal.

“Determino o levantamento da nota de sigilo imposta em despacho por mim proferido no dia 08/05/2020 (Petição nº 29.860/2020), liberando integralmente, em consequência, tanto o conteúdo do vídeo da reunião ministerial de 22/04/2020, no Palácio do Planalto, quanto o teor da gravação referente a mencionado encontro de Ministros de Estado e de outras autoridades”, destaca a decisão. Leia na íntegra.

Em um dos trechos da gravação, o presidente Jair Bolsonaro fala sobre a mudança na Polícia Federal do Rio de Janeiro. J”á tentei trocar gente da nossa segurança do Rio de Janeiro e não consegui. Eu não vou esperar f… minha família toda ou amigos meus porque não pode trocar alguém da segurança na ponta da linha ali. Se não puder trocar, troca o chefe dele, se não puder trocar o chefe, troca o ministro. Todos nós temos que ter essa lista”, disse Bolsonaro.

“Instabilidade nacional”
Ainda na tarde de hoje, o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), criticou o pedido de apreensão dos celulares do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, Carlos, realizado pelo PDT, PSB e PV por meio de notícia-crime enviada ao STF e encaminhada pelo ministro Celso de Mello à PGR para avaliação.

Heleno pontuou através de nota que o pedido é “inconcebível e, até certo ponto, inacreditável”. O ministro considerou que a medida “seria uma afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e uma interferência de outro Poder na privacidade do presidente da República e na segurança institucional”.

Segundo o texto, Heleno ainda enviou um “alerta” de que a apreensão dos celulares “poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”. Apesar da repercussão do envio feito por Celso de Mello à PGR, a ação do decano do STF foi um trâmite burocrático. Segundo o site UOL, caberá a Augusto Aras, procurador-geral da República, analisar a notícia-crime e se manifestar sobre os pedidos.

 

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