Internado, com pulmão afetado e se tratando de Covid-19, exame de deputado dá “falso negativo”

João Jaime Marinho não acreditou no resultado do exame. Os seus médicos também não acreditaram. O parlamentar avalia que o coquetel com hidroxicloroquina o salvou.


João Jaime Marinho em selfie tirada no leito do hospital Otoclínica, onde se trata da Covid-19.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Vejam que situação inusitada vem passando o deputado estadual João Jaime Marinho. Internado, com vários sintomas graves típicos da Covid-19, incluindo o comprometimento de 50% do pulmão, o deputado recebeu no sábado passado a informação de que seu exame deu resultado “falso negativo” para a doença. É óbvio que não acreditou. Nem seus médicos acreditaram.

“Depois de estar com a função pulmonar 50% comprometida, a função renal também, febre todo dia, internado num isolamento semi-intensivo, esperando a qualquer hora ser entubado, recebi uma ligação da Secretaria da Saúde me informando que meu teste deu negativo. Fico imaginando ao que nosso povo está entregue”, disse Marinho em conversa com o Focus pelo WhatsApp.

O fato é que os médicos mantiveram o tratamento do deputado como sendo um paciente de Covid-19. Entre os seus médicos, o ex-secretário de Saúde, Anastácio Queiroz. “O resultado do exame foi um falso negativo. Inconfiável”, relata Marinho. O deputado mantinha previsão de receber alta nas próximas horas para continuar o tratamento em casa.

Vejam o diálogo entre o Focus e o deputado:

Foi medicado com hidroxicloroquina?
Já terminei a hidrocloroquina a associado à azitromicina. Foi o que me salvou. Mas o problema são as infecções secundárias. Cheguei no hospital após cinco dias do primeiro sintoma. Constatada a lesão pulmonar de 50%, comecei imediatamente o coquetel. Foi o coquetel que barrou a Covid, mas não termina aí porque vão piorando as infecções secundárias.

 Está internado em qual hospital?
Otoclínica

Quer que eu publique seu desabafo?
Pode publicar. Pode salvar vidas. Não se confie no resultado [do exame]. A chave do problema são os exames clínicos e a tomografia de pulmão. Eles não querem fazer porque demanda tempo e dinheiro. Um estetoscópio, por quem sabe usar, pode salvar.

Quais os sintomas sentidos?
Moleza no corpo, dores, febre, dor de cabeça.

– Não teve tosse?
Não. Não senti falta de ar, tosse e coriza. Tem gente que sente, outros não.

Perdeu o paladar e olfato?
Não. As dores e a febre constantes me mostravam que tinha algo de muito errado. Senti uma gripe seca, com todo o mal estar de uma gripe sem ter o congestionamento nasal nem coriza.

O exame foi daquele tipo que usa um cotonete longo?
Foi. Um dos médicos daqui disse uma verdade: “O senhor teve foi sorte. Na próxima semana não vai ter vaga em nenhum hospital”. A hidroxicloroquina é a solução desde que aplicada na hora certa.

Sim, essa é a grande briga no momento. Ministério da Saúde falando que o uso é só para casos graves e uma parte da comunidade científica falando que é preciso prescrever o coquetel logo nos primeiros sintomas. O fato é que os profissionais de saúde que estão na linha de frente tomam o coquetel profilaticamente.

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