Abrasel Ceará fala em “surpresa” e falta de “bom senso” após Camilo não liberar bares e barracas de praia na fase 3

De acordo com o presidente da entidade, Rodolphe Trindade, a decisão não foi discutida com antecedência com os estabelecimentos comerciais


Restaurante. Foto: Pixabay
Restaurante. Foto: Pixabay

Átila Varela
atila@focus.jor.br

O sentimento da Abrasel Ceará é de frustração e revolta após o governador Camilo Santana anunciar que barracas de praia, bares e restaurantes (no período da noite) em Fortaleza não abrirão na fase 3 do plano de retomada da economia.

De acordo com o presidente da entidade, Rodolphe Trindade, a decisão não foi discutida com antecedência com os estabelecimentos comerciais. “Fomos pegos de surpresa e não foi respeitado os parâmetros discutidos. Temos que pensar na economia e se valer do bom senso. Muita gente se preparou para o momento. Quase 90% do setor”, destacou o empresário.

Rodolphe ainda falou que dentre os parâmetros acordados pelo Estado estava a redução de 50% do número de mortes por COVID-19, além da ocupação abaixo de 80% dos leitos para o tratamento de pacientes infectados. Eles seriam essenciais para o retorno das atividades de alimentação fora do lar. “Gostaria de entender por qual motivo posso estar em um ônibus lotado ou em shopping center, mas na barraca de praia, que é um local aberto, sou impedido”, disparou.

Ele ainda criticou a situação da informalidade em Fortaleza. “Nosso setor foi o primeiro a fechar as portas e seremos o último a sair? A periferia continua funcionando, tudo está normal para quem não é formalizado. É preciso fiscalização do Poder Público”, pontou.

Também explicou que os estabelecimentos formalizados tinham se preparado para a volta das atividades. “Teve gente que comprou insumos para pagar em uma semana. Nós seguimos regras sanitárias rígidas, trouxemos de volta quem estava de férias coletivas, gastamos com treinamento e material de segurança. O que nós vamos fazer? Jogar tudo isso fora? Como vai ser feito?” questiona.

Apesar da situação, o empresário garante que o diálogo segue aberto com o Estado e a Prefeitura. “Respeitamos as decisões, mas isso nos revolta. Eram coisas que estávamos discutindo. Agora não temos como voltar de imediato. É preciso que ambos (Estado e Prefeitura) mostrem alternativas para o segmento”, finaliza.

Abaixo, a nota da Abrasel sobre a determinação do Governo

“A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel) lamenta profundamente o anúncio feito pelo Governo do Estado neste sábado (04), em relação à terceira fase da retomada das atividades, surpreendendo o setor que já vinha trabalhando arduamente para uma reabertura segura e responsável a partir de segunda-feira (seguindo os protocolos sanitários, limitações de ocupação e distanciamento social), como estava previsto anteriormente, apesar dos indicadores de ocupação de leitos, internações e óbitos estarem controlados.

A decisão de retirar os bares e restaurantes noturnos e as barracas de praia desta fase de reabertura é recebida pelo setor de alimentação fora do lar com repúdio, uma vez que se dá de forma discriminatória, sem prévio diálogo ou explicação para tal, uma vez que o próprio governador declarou que “todos os indicadores continuam diminuindo”, no que se refere à saúde.

Apesar de a Abrasel integrar o comitê estratégico para a retomada, fomos surpreendidos com esta decisão monocrática. Todo o esforço e investimento feito pelos empresários do setor, para adequar seus espaços às medidas de segurança necessárias, foi em vão. Agora, amargaremos mais demissões e fechamento de estabelecimentos.

Lamentamos ainda mais por saber que a decisão afeta apenas um setor produtivo que age na formalidade, pagando impostos e seguindo normas, enquanto ambulantes lotam praias e calçadas, e pessoas enfrentam lotação nos ônibus. Infelizmente, o decreto acaba sendo respeitado apenas em algumas áreas da cidade, enquanto que em outros lugares, como nas periferias, as aglomerações são frequentes e o poder público sequer enxerga, porque não tem braço para garantir uma fiscalização efetiva.

Próxima segunda-feira (06), sem MP 936, os colaboradores voltam com estabilidade de emprego de dois meses e as portas dos estabelecimentos estarão fechadas. O Governo do Estado vai pagar essa conta?”

Rodolphe Trindade.
Presidente da Abrasel no Ceará.

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