Trocando em Miúdo

por Paulo Elpídio
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Sócrates tinha razão: a pergunta fragiliza ou fortalece a resposta


 

O poder da mídia e a imponderabilidade da razão

Em uma breve passagem na oração do Papa antes da bênção Urbi et Orbi: “… e dos que manipulam as consciências, livrai-nos Senhor!”…

 

 

A mídia e a relatividade das humanas ilusões 

Critica e condena generalizadamente governos e instituições, assume partido embora negue, denuncia, denigre, desqualifica pessoas e elege seus cúmplices e protetores e ninguém pode dizer ou contestar suas armações. Quem o faz incorre em pecado capital, desrespeita o “Estado democrático de direito”, figura duvidosa criada com a sugestão hipócrita de juristas
“técnicos”.

Criou-se a ditadura da mídia, dominada, no geral, por empresas de porte, com largas ligações empresariais, movidas pela publicidade do governo (federal, municipal e estadual), pelas imposições e conveniências de seus anunciantes. Exceções raras existem.

As redes sociais, com a sua imensa capacidade de gerar fake news, ainda são o canal livre no qual todas as opiniões se manifestam.

Não surpreendem a preocupação da mídia e dos políticos e a intenção de controlar a circulação alternativa e independente da notícia sobre fatos, ideias e preferências.

O caráter da representação política, os partidos e a legislação ordinária e normas constitucionais obsoletas, precisam ser revistas com urgência.

Por representações parlamentares eleitas sem fraudes eleitorais e compra de votos.

Mas não ficaria por aí. O Brasil precisa ser passado a limpo por quem possa fazê-lo.

Sosseguem as almas ingênuas ou sabidas demais: não se trata de um golpe, levado a cabo por campos ortodoxos de ideologias assentadas, mas de uma obra de saneamento democrático urgente.

Não há de ser um governo militar, mas não será um parlamentarismo frouxo controlado por lideranças partidária ineptas, em comandita com a mídia e grupos autoritários de extrema que rondam o poder que se há de recompor essa estrutura balofa de instituições envelhecidas e atrasados que favorecem as velhas estruturas sociais e políticas. Ou abrem caminhos para os radicais de direita e esquerda, construtores dos maiores desastres da História.

 

Comentaristas, especialistas e debatedores, os atores da mídia

Não presencio um debate verdadeiro elos canais de tv ou pelas rádios e jornais há tempo.

Para esses prélios os debatedores são escolhidos pela produção, em um mesmo e afinado grupo de “especialistas”, segundo compromissos de ganhos políticos ou de sobrevivência da empresa. A pauta mostra-se quase sempre pré-elaborada, improvisada e vazada por ideias ralas.

Os comentaristas e debatedores mostram-se isentos até que as perguntas sejam formuladas e os arranjos se produzam e as cumplicidades se mostrem ao vivo.

Os gestuais, o olhar e o jogo de fisionomia traem a independência dos formuladores de perguntas.

Pesquisadores sociais, delegados de polícia e repórteres sabem, por ofício, que a pergunta induz a resposta. Como a tendência dos debatedores em ocasiões como essa é seguir a indução do indutor, produz-se um ritmo de convergências desejadas.

Por fim, os “especialistas” convidados muitas vezes o que não são é especialistas…

Para arrematar, critica-se tudo nessa dramaturgia mal conduzida — menos a orientação de veículo e a mídia em geral…

Gutenberg não imaginaria quão longe levariam os tipos móveis no campo político…

 

A proibição dos fogos de artifício explosivos destina-se a proteger os cães e gatos do barulho que causam.

Como proteger os humanos, em meio a uma tragédia coletiva, do
“barulho” da mídia e do pânico que trazem para a população?

A proibição dos fogos de artifício explosivos destina-se a proteger os cães e gatos do barulho que causam.

Como proteger os humanos, em meio a uma tragédia coletiva, do
“barulho” da mídia e do pânico que trazem para a população?

 

A transformação inusitada de velhos e bons substantivos em adjetivos e insultos: “comunista!”, “neoliberal!”, “fascista!”, “conservador!”, “coxinha!”, “lulista!”, “bolsonarista!”…

 

Guardamos receios como qualquer cidadão, desafiado pelas circunstâncias desse coronavírus infernal. 

Incomodam-nos a inépcia e o açodamento do governo no trato dessa tragédia confirmada.

Mas também a fragilidade das nossas instituições que ensejam a corrida irresponsável pelo protagonismo político a governantes e homens, ditos públicos, em aberta campanha eleitoral.

Esta pandemia é uma prova de fogo, menos para o sistema de saúde — que se comporta à altura — do que para a nossa cultura política envelhecida.

Assistimos a uma campanha eleitoral antecipada montada sobre respiradores e padecimentos coletivos.

Saberemos o preço amargo dessa conta a pagar, depois.

Ninguém será o mesmo depois desses desastre, nem os pleitos de religiosidade, nem as pessoas, tampouco as ideologias. Sairemos todos gastos, envelhecidos — muitos, envilecidos — mas com um novo aprendizado realizado.

Ou não sairemos, como dizia um aprendiz de feiticeiro, em passado recente.

 

A propósito dos conflitos no governo, no judiciário e no parlamento

Imagine-se a queda de braço na Cúria Romana entre eminências e santidades…

No PC soviético as pessoas em desgraça tinham o mau hábito de desaparecer…

No Terror de Robespierre os nobres, ricos e políticos perdiam literalmente a cabeça quando menos esperavam….

Por aqui algumas pessoas do governo e do parlamento perdem a cabeça em sentido metafórico…

 

Morrer numa estatística anunciada pelos algoritmos é uma fatalidade sofisticada.

 

Nada conheço do Covid19, espero não contraí-lo.

Faço o que recomendam os entendidos que são muitos e persistentes: lavo as mãos e o que mais for necessário, não saio e não vejo tv para resguardar minha integridade mental.

Não sou contra o isolamento (pronto, já me tascaram o rótulo de reacionário, liberal ou fascista). Acho que o coronavírus não vai nos largar assim, de graça.

As nossas lideranças políticas, despreparadas para outros desafios, não estão à altura da tragédia confirmada.

Há esforços bem conduzidos nos setores de saúde, contestados, criticados, o que parece normal em situação dessa gravidade.

A crítica carregada de certezas não ajuda. Aos que creem que as ações governamentais poderiam ser diferentes e que o isolamento é desnecessário, poderiam integrar o voluntariado, na linha de frente.

A mídia divulga com insistência números e estatísticas, nem sempre acompanhadas de análise consistente. A indisposição com o governo cega o essencial do que lhe incumbe nesse momento tão grave — exatamente o que esperam o povo e os assinantes dos canais fechados.

Vamos tentar salvar a nossa gente, os nossos filhos e os que têm direito à vida. Todos nós.

 

O Brics é o braço internacionalista de Putin. A versão pós-moderna do Komintern…

 

O talento não é anteparo afetivo suficientemente resistente para conter o messianismo ideológico.

 

O que preocupa mais: o desemprego ou a queda dos lucros?

 

Favelas, “bidonvilles”, “comunidades”, “complexos”?

A menção que fiz em uma postagem aos riscos que correm as favelas com o contágio célere do coronavírus despertou uma única reação; a de que “favela” é uma referência pejorativa. Fiz alguns comentários:

“ É a realidade. São os excluídos, os pobres, os miseráveis.

“Complexos”? “Comunidades”?

Não dá para batizá-las com uma denominação em inglês.

Pus de propósito, porque de algum lugar surgiria essa reação hipócrita.

São guetos que a nossa indiferença permitiu crescessem e se espalhassem pelas periferias, nos lugares mais remotos, sem valor nenhum, por onde se lançam os dejetos urbanos de cidades mal crescidas.

As favelas são ponto crucial da expansão da epidemia do coronavírus. Pelas condições precárias de higiene. Sua única chance está em que, nas cidades como o Rio de Janeiro, nesta tragédia, o tráfico socorra as vítimas dos contágios.

Em uma hora dessas, dizer que a palavra favela é pejorativa, é uma ingênua preocupação de quem não alcançou a extensão dessa tragédia”.

 

Se o coronavírus não for bem sucedido, os políticos terminarão o trabalho…

 

Os políticos brasileiros estão a um passo de cometer suicídio eleitoral coletivo, a custa de muitas vidas.

 

Lei no Brasil passou a ser “medida técnica”. E ainda assim não é levada a sério pelos “técnicos”

 

Há algum tempo atrás, dois pobres países africanos enfrentaram-se em uma guerra brutal.

Um cartunista francês (Sempé?) glosou a tragédia com a imagem faminta de dois africanos em luta corporal, armados de um garfo e uma colher.

De que armas, a rigor, se servem, no Brasil, as lideranças partidárias e os atores políticos em geral, nesse combate inglório “em defesa” da democracia, da república e do estado de direito que eles mesmos não prezam?