Trocando em Miúdo

por Paulo Elpídio
Veja todos os artigos do autor

O Covid-19 vai aliar-se, por fim, com as forças renovadoras da política: o Centrão.


 

 

 

 

O Covid-19 é uma armação capitalista com pretensões burguesas, descobriu um sociólogo francês.

O achatamento da curva da expansão do Covid-19 vai ser decidido pelo Centrão e a nova base aliada. Finalmente, alguém tomou juízo. O Covid-19 deverá ser colocado no devido lugar: no Orçamento de União…

Quando a gestão privada torna-se pública e quando a gestão pública torna-se privada? Marx explica?

O que mais atrapalha um país? A inépcia ou a esperteza dos “homens públicos”?

É difícil saber o que é pior. Se quando os políticos brigam ou quando se aliam.

Neurocientista diz que o Brasil será o epicentro da pandemia. E o que sugere o ilustre sábio? Cofia o cavanhaque e vai reler o seu currículo Lattes?

Vai faltar vara no almoxarifado.

Ministro ameaça mandar trazer 
“debaixo de vara” quem quer que se negue a atender convocação para depor.

Na idade do ilustre magistrado, as pessoas podem dar-se a grandes façanhas, até a de ser corajoso. Em todo caso, percebe-se que Sua Excelência excedeu-se.

A expressão “debaixo de vara”, retirada do Código do império, soa, neste caso, como metáfora jurídica de terceira instância.

O equilíbrio e o comedimento fazem falta até mesmo aos preclaros atores da justiça.

Imagine-se um oficial superior das forças armadas arrastado
“debaixo de vara” por um zeloso oficial de justiça…

Fica a curiosidade sobre quem, dentre tantas autoridades estreladas, teria manifestado essa intenção. Data venia.

O desembarque do Centrão: finalmente, a governabilidade negociada com as partes igualmente satisfeitas.
Nada custa tanto que não termine por chegar. Como diz Lula, democracia não se faz sem dá lá, dá cá…

A vaidade e a competição pelo protagonismo na ciência e na medicina são tragédia maior do que as pandemias que pretendem erradicar.

Previsões ou projeções sobre a expansão do Covid-19 no Brasil podem ser levadas a sério? Até mesmo brilhantes exercícios estatísticos que fixam o momento do pico da pandemia e a sua desaceleração?

Em que dados eles se fundamentam? Se é projeção, feita a partir de duvidosa coleta, como as que conhecemos, como tê-las como seguras? A maioria das fontes geram informações controvertidas alimentadas por um viés político suspeito. As do governo estão sujeitas a modulações políticas ou a erros de coleta. As da mídia não são mais isentas ou sólidas.

É preciso ter cuidado com as previsões veiculadas. No caso de projeções, também. Nenhuma projeção pode ser considerada seriamente se construída sobre dados imprecisos.

Entende-se como “fonte” aquela que trata e elabora dados adequadamente coletados e produz informações estatísticas presumivelmente honestas.

Este o nosso problema desde o início da pandemia no Brasil.

Só agora, mais de quarenta dias da declaração de pandemia no Brasil, as informações primárias ganharam alguma consistência.

Não há interesse em manter polêmica em torno de uma grave situação de saúde pública.

Os que sofrem e encontram-se em situação de perigo nos hospitais, com perdas de parentes e amigos, não podem ter elevada a sua angústia por previsões improváveis.

Em casos como o que estamos vivendo as informações sobre a evolução da epidemia passam a ser questão de superior interesse público.

É missão da Academia contribuir com a sua competência para o êxito das ações organizadas, do governo e das comunidades, da sociedade, enfim.

 

Uma enrascada dos diabos: a escolha do inimigo. 

Bolsonaro enfrenta quem? Moro ou o PT, Alcoolumbre ou Maia?

O PT castiga quem? Bolsonaro ou Mouro?

Moro faz o quê? Confirma e prova as denúncias?

E as redes sociais? Santificam Bolsonaro, empurram Moro ao fogo das conveniências? Ou celebram a volta de Lula?

Ou nada vai acontecer? Como sempre?

O Brasil está paralisado pelo confinamento social do Covid-19— e pelo vazio de poder criado pelo Covid político…

 

O psicótico acha que 2+2=5.
O neurótico acha que 2+2=4. E preocupa-se muito por isso.

Duas mortes trágicas. Um ator que partiu por conta própria. Um poeta entregue à própria sorte em hospital público.

O parlamento dá o passe e chuta a gol, o executivo engole o frango e o judiciário suspende o jogo…

A democracia brasileira vai terminar asfixiada pela abundância de leis e pela autocracia judiciária.

O julgamento da Intelectocracia — a “intelligentsia” abrigada no poder do Estado — não conta de verdade. O futuro a desconhecerá…

O Covid-19:
Fica uma indagação entre os desprovidos de ciência e de fé: como e por que começa uma pandemia ? E como ela se vai?

Das Egrégias Cortes às postagens mais simplórias crescem o desprezo pela Razão e o ódio como arma de combate.

A “desopinião” levou a melhor sobre a razão. Enfim, a “desrazão” mostra a sua força.

Elevei o meu confinamento para o nível 3: sem jornais, sem telejornais e sem redes sociais. Por um tempo.

O que terá mudado nas negociações do “Centrão” com o governo desde o início de 2019?

Dom João VI era um monarca sábio: ensinou que as crises mais graves se resolvem por elas mesmas. Criou o liberalismo bragantino.

No Brasil, tudo é obra do acaso. Desde o descobrimento, por desvio de rota, as crises se resolvem espontaneamente…

Não devemos acreditar na mentira dos outros. Só nas nossas que, evidentemente, não são mentiras…

Os mentirosos, no Brasil, não têm pernas curtas. Têm pernas de sete-léguas…

Um indivíduo prudente deve ter cuidado ao escolher os amigos. Mais, ainda, os inimigos…

COVID-19 decide sair do Brasil. Aqui tudo é imprevisível.

Que país será este?

Que país será este?

E quando o povo perder a paciência com tanta lambança?

A mídia começou contando os infectados, enumerou os óbitos e, agora, faz a estatísticas das valas abertas nos cemitérios.

Criaram esse novo instrumento interlocutório: “decreto de recomendação”?

O risco não é o corona, é morrermos enrolados em tantas, leis, decretos, portarias e outras jaculatórias jurídicas. 

O Brasil acabará afogado por essa inclinação jurídica ancestral…

A prescrição é o maior instituto jurídico do Ocidente. Inventado em Brasília.Já “trazer debaixo de vara”parece uma revisão do princípio do “garantismo” gilmareano.

No Brasil, a política judicializou-se. A justiça politizou-se. E a lógica da ciência cedeu lugar à retórica e à verbalização…

Guia da sobrevivência mental nesse adorável confinamento: manter os jornais fora do alcance dos adultos e afastar os idosos do televisor.

Ditadura não é solução: mudam o “script”, o cenário e os atores.
O The End é o mesmo.

Ou as vivandeiras emudeceram ou os quartéis ensurdeceram. A democracia vai sobrevivendo.

A União funcionou, sempre, no Brasil, como banco de uma clientela de inadimplentes… Fomos, sempre, uma república unitária…

O “consórcio” de estados brasileiros seria o prenúncio do renascimento das Ligas Hanseáticas na América Latina?

No Brasil, a pandemia viral transformou-se em pandemônio político.

José Bonifácio referia-se a dom João VI como o “João burro” e a 
Pedro I como Pedro Malazarte…

O “nós” foi erradicado da língua portuguesa.

Os estilistas da mídia falada e da imagem (ufa! quantos desvios para falar da mesma coisa!) condenaram o jeitão elitista do nós.

Democratizaram o pronome pessoal da primeira pessoa do plural e o transformaram naquele “a gente” indigente, criando modelo e referência: sacerdotes em suas virtuosas prédicas não deixam
sossegar o “a gente”; os políticos, por simples demagogia gramatical; os militares em ordem do dia ou em pronunciamentos patrióticos; os médicos, na tentativa de reduzir a distância com os seus pacientes; os pais que não querem parecer careta e dar mico; os comentaristas na sua faina didático-pedagógica que tanto se esforçam por nos fazer (por que não “para a gente”) entender a realidade.

Em francês, o “on” é empregado com mais temperança: “o pense que les gents sont fous…”

Outra bengala para os que falam aos ímpios nas redes de tv e nas “sociais” é a o anacoluto, aquele duplo sujeito para completar a frase que escapou ao controle do comunicador, o “ influencer”, assim: “ O presidente Bolsonaro, “ele” assinou um decreto considerando o coronavírus persona non grata em Brasília”…

Ou aquela intimidade mal educada: “O” Trump enfiou o dedo nos líderes democratas…

O povo absorve a fala, incorpora as ideias e a lógica dos modeladores midiáticos do vernáculo. E “a gente”, tamb

Uma questão recorrentemente tratada pelos caminhos da fé.

A insurreição de Lúcifer foi um descuido divino ou uma um ato consentido?

A um leitor bondoso temendo estar lendo as postagens de um direitista matriculado:

De direita não sou, nem de esquerda. A menos que por desatenção não me tenha dado conta desse terrível desvio de caráter.

É difícil sair incólume de qualquer rotulagem política ou ideológica.

Só há um meio de não ser rotulado pelos vigilantes da suspeita – grudar um rótulo em nós mesmos.

Em outros tempos, quem não se declarava cristão e católico ardia nas fogueiras dos hereges.

Escapei da fogueira das virtudes da fé, mas não consigo escapar dos desígnios da ideologia.

O pior é que não me importo: minha consciência me garante.

Obrigado pela generosidade: continue a ler essas
descosturadas postagens.

Não são contagiosas, posso garantir-lhe.

Ato de contrição

De minha parte, retemperei as minhas dúvidas, apaguei as sobras mal guardadas de utopias antiquadas, apurei o ceticismo e dei asas ao senso crítico.

Desfiz-me de algumas releituras fastidiosas, experimentei novas descobertas — e dei tudo por visto e excessivamente inócuo em face de tantas revelações surpreendentes – demasiadamente humanas.

Há dois tipos de “golpes” embrionários, no Brasil. Um que pretende destruir o governo. Outro, destruir o Estado.

Do direito de ser cético

Ao contrário das ideologias, o ceticismo não se apresenta em estado puro. Há uma gradação que vai da menor intensidade a escalas superiores.

O ceticismo não implica necessariamente em isenção, abstenção ou dubiedade. Fraqueza ou conveniência. Pode, entretanto, apresentar-se nesse estado líquido intermediário entre vapor e o sólido.

O ceticismo pode assumir compleição crítica, fugindo à negação absoluta. É pouco provável, no entanto, que seja movido pelo radicalismo binário dos antagonismos que se negam e se agridem.

Não estou a louvar-me no prestígio dos grandes pensadores, tampouco na disciplina das escolas filosóficas ou das profissões de fé, que a tanto não chegam meus limitados predicados de aplicação. Falo por conta própria.

É possível, admito, que certas modulações de ceticismo dissimulem confissões de fé ou espasmos ideológicos. Quem saberia ao certo? A negação hipócrita a serviço da adesão velada.

Quem sabe seria possível nos referirmos a um ceticismo de base, armado do qual podemos ver, enxergar e formular a crítica sem marca ou rótulo de origem demarcada? A crítica largo espectro, sem escolha prévia do objeto a ser criticado? E sem compromisso?

Vale a pena inflar essa desvalida especulação.

 

Os humanos dividem-se entre o emprego, o subemprego, o desemprego, o trabalho eventual, os homens de negócios — e os políticos.

Finalmente, uma descoberta decisiva: pela sua estrutura genética o coronavírus é uma armadilha capitalista! Um arranjo burguês.

O Parlamento (o que significa essa pomposa designação?) deixa caducar as Medidas Provisórias relativas ao orçamento da União e faz-se de vítima de arbítrios do Executivo.

Os estados improvisam um
“consórcio”, amplo espectro, de “novas” competências.

As estatísticas do combate ao coronavírus confundem as melhores cabeças e os números brigam entre si.

Estamos diante de um desafio perverso: ou perdemos o controle sobre a pandemia ou o sistema federativo se desestrutura e a democracia sobra mais uma vez para a autocracia dos salvadores.

Ou as duas coisas, a um só tempo.

Usar estatísticas erradas é grave. Manipular estatísticas é crime.

O que restou de uma federação tão frágil?

A fragilidade do sistema federativo brasileiro reflete os desequilíbrios que a nossa instrumentação constitucional não solucionou até hoje. 

Nela se projetam a débil estrutura do sistema partidário, a insegurança jurídica e descontrole da função legislativa.

O Estado brasileiro, a União, foi sempre visto pelos brasileiros como um poderoso banco ao qual os estados federativos podem recorrer em casos de inadimplência financeira. E de onde arrancar empregos e capitais políticos

Resta justamente confiar, nessa vasta crise, ao sabor do pandemônio institucional em que nos enfiaram, no bom senso e espírito público dos que se encontram no exercício de funções de representação. E na moderação e influência dos canais de informação.

O País, acostumado a contornar suas crises por força do acaso ou de negociações de interesse transitório, pode não resistir a esse enfrentamento grave.

José Bonifácio em seus Projetos para o Brasil, reconhecia:

“No Brasil, a virtude quando existe é heroica porque tem que lutar com a opinião e o governo”.

A estatística política ganha posição de ciência no Brasil.

Estamos provando para o mundo que a estatística não é uma ciência exata. É uma bola de cristal.

Projeção: Período crítico do Codiv será de maio a agosto.
É decreto federal, estadual ou municipal?

Não se pede demissão apenas porque o chefe não aprova os nossos projetos. Mas quando não aprovamos o que o chefe faz ou pretende fazer.

Um executivo de caráter,ao receber ordens com as quais não concorda,  por questões de consciência, não espera ser demitido,
— demite-se.

A estatística é uma arma poderosa usada pelos governos. Uma simples mudança de metodologia pode alterar a “ordem dos fatores”… No Brasil, o produto altera a ordem dos fatores.

Isolamento social: prisão domiciliar, sem tornozeleiras e sem habeas corpus…

De tanto tantos mentirem a verdade passou a ser uma mentira grosseira.

A erutação fundamentalista de Fernanda Torres não é criação própria de uma atriz em crise da idade. 

É o recrudescimento de velhas ideias sobre a conquista do poder, teorias que dormem na vulgata de muitos “reformadores” — e lembram as tragédias do passado.

À falta de povo nas ruas ou de seus votos em urnas viciadas, uma guerrazinha civil serve. 

 

Tomar carona em uma pandemia e na fragilidade de uma democracia imberbe, servida por maus políticos — os melhores aliados em tais circunstâncias — é a melhor de todas as estratégias.

Dividir o país no plano da retórica e dos palpites desinformados é a fórmula ideal, adotada com sucesso no passado.

Assistir a essa pantomima criminosa, indiferentes ou mergulhados nessa dialética de boteco — a situação perfeita.

 

Reflexões sem dor praticadas pelo autor deste desvalido blog. Embora sem muito relevo ou sem ofensas civis (ou militares) ou tropeços dolosos que levantem suspeitas  sobre quem as escreveu — essas descoroçoadas ideias são da sua inteira responsabilidade. PEMN.