Trocando em Miúdo

por Paulo Elpídio
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De tudo, um pouco; do pouco, nada


“Pequeno Dicionário de Palavras em uso e em desuso”

D

Democracia, s. indef.: palavra associada com intenções solertes à expressão do agrado dos juristas e governantes, “Estado de Direito”, embora não tenha relação direta com o que aparentemente pretende designar.

Democrata, adj. de 2 gên.: palavra de sentido ambíguo, designa partidos, pessoas, homens públicos que se passam como tal.

Democrático, adj.: usado indistintamente, aplicado a atitudes e procedimentos; como substantivo ou adjetivo  é um reforço retórico para quem não tem em conta a democracia; estado  de espírito raramente compartilhado na prática.

Democraticamente, adv.: agir, comportar-se, tolerar; as pessoas esperam que as outras ajam democraticamente, embora não o façam.

Democratismo, s. mas. pej.: excesso de reuniões quando todos falam e ninguém decide, forma usual de como os políticos e a burocracia interagem; em casos excepcionais, raramente registrados, excesso de zelo democrático, preciosismo patriótico  que se ensinava outrora quando a escola era risonha e franca”.

Democratizar, v. t. e int.: ação ou desejo nos quais poucos acreditam, embora deixem entender que gostariam de vê-lo realizado; alguns recuperaram-se, a tempo, com arrependimentos patrióticos e redemocratizam-se, até uma recaída inesperada.

Democratrização, s. fem.: consequência inesperada do ato e democratizar; alguns podem levar essa inclinação mórbida às últimas consequências; há numerosas formas de democratização, como são múltiplas as formas de democracia, dependendo do adjetivo que se lhes dê.

Democratizador, sub. masc.: O que democratiza, figura mitológica, com raros registros; modernamente, diz-se de todos ditador que, imbuído de fé democrática, refuta os próprios métodos de ação, porém os emprega com o objetivo de democratizar os ímpios, os antigos aliados de jornada.

“Reagendamento de data”, recurso excepcional para os de foro especial: o citado vai depor quando puder.

Macho nasce macho, fêmea nasce fêmea”. A tolice é um flagelo do qual poucos escapam, não tem partido, nem ideologia: é “progressista” ou “fascista”. Mas pode ser do “centro”…

Candidaturas avulsas, no varejo, ou por atacado?

 

No Brasil, que diferença fazem candidaturas avulsas e candidaturas partidárias? O que distingue, por aqui, um partido do outro? Esquerda e direita mergulham as suas tenazes eleitorais no terreno sáfaro do populismo. O “centro”, menos imaginativo, porém mais prático, cuida dos seus negócios e faz qualquer negócio para permanecer no poder, ainda que seja espremido em uma coalizão amplo espectro. Como só leem jornais e assistem o JN, sabem que a Revolução de 1917 completou 100 anos, incorporaram-se a uma sessão do Congresso para festejar a data, mas não souberam, até hoje,  o que aconteceu com os “companheiros de estrada” até chegarem ao Jardim de Inverno, em São Petersburgo…

Com quase 40 partidos registrados, no Brasil,  seria preciso multiplicar todas as ideologias disponíveis ou por serem criadas e juntar as doutrinas políticas encalhadas no mercado ou já recolhidas, como se deu com o milagre da multiplicação dos peixes – para que os nossos partidos políticos pudessem ser diferentes, uns dos outros. Não é que se prefiram as candidaturas avulsas. É que elas não são diferentes das candidaturas partidárias. O voto avulso seria uma válvula de escape dos caprichos familiares que domesticaram as siglas conhecidas. O voto no laço, dito partidário, por atacado, engorda no partido e beneficia a poucos, os de sempre, que todos pretendem a reeleição. Já o avulso cria o risco de ampliar a oferta de candidatos e iludir o eleitores. Considerando que somos um País cujas circunstâncias são por demais circunstanciais, a questão tende a ser pouco relevante. Enquanto perdurar a atual organização partidária.

 

O populismo fantástico latino-americano conseguiu realizar o que parecia improvável: a união das esquerdas e das direitas diante da omissão da consciência democrática da sociedade.

 

O buraco negro das finanças do Vaticano

Um balanço contábil complicado: há mais almas viventes gastando, em nome das almas acolhidas no reino do Céu, do que óbulos sendo recolhidos.

Menos “data vênia” e mais “cumpra-se”

 

Prescrever crime por decurso de prazo ou que outra razão for invocada, é um contra senso. Se foi crime, a penalização do acusado não há de ocorrer senão pelo tamanho do delito; jamais por artimanhas processuais ou por conta da negligência do aparato forense. Nem mesmo pelas limitações materiais e técnicas que porventura se interponha à realização da justiça.

Beneficiam-se os de sempre, os que podem bancar elevadas custas judiciais, os que têm meios para esperar e alimentar esperanças, convencidos de que o tempo é o senhor da razão e dos prazos da prescrição.

 

Na política, os entretantos têm mais importância do que os finalmente…