Terceira via: Enfim, há candidata. Por Ricardo Alcântara

A candidatura de Simone Tebet é uma boa notícia. Mas é notícia tardia. Uma fogueira de vaidades, alimentada por candidatos de si mesmos, de escasso civismo, retardou a definição de um CPF para unificar o discurso social-liberal e buscar conquistar os votos de centro. Mulher, É senadora do Centro-oeste onde ecoam com força os grunhidos da ultradireita.


Ricardo Alcântara é publicitário e escritor.

A candidatura de Simone Tebet é uma boa notícia. Mas é notícia tardia. Uma fogueira de vaidades, alimentada por candidatos de si mesmos, de escasso civismo, retardou a definição de um CPF para unificar o discurso social-liberal e buscar conquistar os votos de centro. Mulher, É senadora do Centro-oeste onde ecoam com força os grunhidos da ultradireita.

Não disse “irremediavelmente tardia” (seria arrogante), mas, historicamente, nenhum candidato que antes alcançou o segundo turno em eleição presidencial chegou a junho com percentuais inferiores a 5% nas pesquisas eleitorais. Mesmo os emergentes Fernando Collor e Jair Bolsonaro já estavam melhor posicionados a cinquenta dias das convenções partidárias.

A boa notícia de sua candidatura é dar finalmente ao campo liberal algum ativismo no processo de afirmação dos valores democráticos. Quanto mais diversidade, mais democracia. Dá-se representatividade a parcela do eleitorado que faria opções insatisfatórias. Emergiria do primeiro turno um resultado distorcido, que não contemplaria todas as expectativas.

Simone conta a seu favor com uma aliança partidária que, apesar das dissenções, tem amplitude e capilaridade potencial, desde que demonstre capacidade de conquistar a atenção dos eleitores. Além disso, é indisfarçável a ilimitada boa vontade que a grande mídia tem tido com a candidatura denominada como “terceira via”, que agora ela passa a personificar.

Por suas primeiras palavras, se percebe que está com um discurso bem posicionado em relação ao público que pretende conquistar. Precisa, agora, de competência na escolha de quem estará à frente de sua estratégia de comunicação e recuperar os danos políticos de um processo de definição que deixou vítimas pelo caminho.

Em quatro semanas, saberemos se a terceira via é um risco n’água, logo desfeito pela corrente torrencial da polarização, ou se conseguirá formar um polo competitivo, capaz de ser ouvido e acreditado. Para a terceira via, foi-se o tempo de separar pedras. Agora, é tempo de juntá-las e tentar construir uma alternativa moderada, mas democrática como deve ser.