Tasso: polícias militares se tornaram centro de difusão e apoio a Bolsonaro

O tucano lembrou dos protestos ocorridos em Pernambuco e da ação da Polícia. Segundo ele, não foi uma ação do Governo ou um acidente, mas sim uma "indisciplina orientada"


Tasso. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Equipe Focus
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O senador Tasso Jereissati se mostra preocupado com os caminhos do bolsonarismo nas polícias militares dos Estados. Em entrevista ao fundador do Centro de Liderança Pública (CLP), Luiz Felipe D’Avila, o tucano afirma que tem acompanhado o cortejo do presidente Jair Bolsonaro às forças policiais.

“Há mais um ano a ligação e o cortejo do presidente Bolsonaro às polícias militares. Fui 12 anos governador. Nunca vi, nem no meu governo, nem nos outros governos, presidente da República ir à festa de formatura de oficiais de Polícia Militar. Eu mesmo ia às vezes. Isso eu já percebi nessa última eleição claramente. As polícias militares se tornaram um centro de difusão e apoio a Bolsonaro, não diria todos, mais alguns estados”, criticou.

Lembrou dos protestos ocorridos em Pernambuco e da ação da Polícia. “Essa ação em Pernambuco, que não foi do Governo, não foi um acidente, foi uma indisciplina orientada”.

Mais grave que o flerte com as corporações militares, está a possível não aceitação dos resultados em 2022 e da propagação das fake news.  “É motivo de muita preocupação. Por outro lado, eu tenho a impressão, que quando o presidente afirma e reafirma que não vai aceitar os resultados se o voto for eletrônico, está imitando ou explicitando o que fez o Trump (ex-presidente dos EUA). Isso não é só repetido pelo Bolsonaro, mas pelos bolsonaristas em uma corrente interminável querendo convencer a população de fraude”, declarou o tucano.

Proposta para barrar militares no Governo

Tasso pontou que há uma proposta que visa diminuir a participação dos militares da ativa no Governo. “Isso é muito importante porque nós estamos vivendo um momento que além da ineficiência, da incompetência, parte de uma corporação, dá suporte a essas irregularidades”, declarou.

“No caso de um Governo que seja desequilibrado, mas não tenha essa influência militar, é mais fácil você intervir. Onde, aparentemente existe parte uma corporação militar dentro do governo, participando do governo, as consequências são mais perigosas.

Sobre a reforma política, Tasso ressaltou ser difícil. “Com esse Congresso, eu acho difícil, não só com esse presidente. Hoje o Governo, bom ou mau, é refém do centrão. Este centrão, que não é propriamente um social-democrata à direita, ou mais à esquerda de centro, é outra coisa, manda no Governo. E é o maior beneficiário desse sistema político Passar uma reforma política para valer, não é nem neste Governo, mas com este Congresso, eu acho difícil”, pontou.

“A reforma administrativa, existe uma expectativa mínima que eu não acredito que possa ir adiante. Parece um ministro da economia, mas não existe desejo do presidente. Quando se fala em corporativismo no País, as corporações do funcionalismo público são as mais fortes e influentes dentro do Congresso e da política. O presidente da República, que é um corporativista por excelência, é a raiz dele, dê força para que esse projeto vá adiante”, ressaltou.