Tasso: “Está na hora de se falar em parlamentarismo”

Sobre sua pré-candidatura à presidência, Tasso afirmou que ainda é cedo e que muita coisa vai acontecer


Tasso. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Equipe Focus
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O senador Tasso Jereissati afirmou que o foco principal da CPI da COVID é investigar os atos e omissões do Governo Federal durante a pandemia. E que o Governo quer tirar o foco das investigações ao incluir estados e municípios nas investigações.

Em entrevista ao site O Antagonista, nesta quarta-feira, 28, o, parlamentar ressaltou que o impeachment não deverá ser “o caminho mais provável” da CPI, especialmente pelo prazo da comissão e pelo período de um processo de impeachment. O senador disse ainda que a CPI será técnica e descartou a possibilidade de que seja politizada.

Campanha eleitoral
Questionado se, como pré-candidato à Presidência, usará a CPI como palanque político, Tasso disse que isso seria “falta de caráter”. E disse achar prematura a realização das prévias do PSDB em outubro. “Não é desejável fazer a disputa nesse momento”, disse o senador tucano.

Tasso classificou a inclusão de seu nome na corrida eleitoral como uma “brincadeira”. “É claro que eu fico lisonjeado com isso, fico feliz, é uma generosidade de amigos meus, mas acho prematuro”, disse. “Muita coisa vai acontecer”.

Reforma política e parlamentarismo

O tucano ainda declarou a necessidade de uma reforma política e citou as dificuldades. “É preciso fazer uma reforma política talvez nas duas próximas eleições no mínimo. Não esqueça que os incumbentes hoje, deputados, senadores e prefeitos são eleitos nesse sistema que está aí. Qualquer mudança nesse processo político coloca em ameaça a reeleição de senadores e deputados. Isso é uma dificuldade enorme. E você tem que puxar todos os lados. Eu continuo parlamentarista. Está na hora de se falar em parlamentarismo”.

“Esse parlamentarismo teria de ser bastante discutido. O primeiro-ministro que venha a ser seja um homem com experiência de negociação com o congresso. Existe uma trava no nosso presidencialismo de hoje, sempre em todos os presidentes que eu conheci após a redemocratização, no relacionamento entre o Executivo e o Parlamento. Essa trava levou a um sistema que vocês conhecem como de ora de clientelismo,  ora de ‘toma lá, dá cá’. Esse sistema parlamentarista implicaria em uma reforma do sistema eleitoral. Teríamos de cair ou pensar no sistema distrital. É uma discussão que vai longe”, completou.