Saiba os motivos pelos quais o PT Ceará fala grosso com o PDT

Uma pesquisa para consumo interno, o efeito Lula-Camilo, a fadiga de material, o desempenho de Ciro e outras circunstâncias que dão musculatura ao petismo no Estado.


Camilo e Lula em encontro no Palácio da Abolição em agosto de 2021: essa dupla pode ser a do barulho na eleição do Ceará.

São vários os fatores que levam o PT do Ceará a se impor de forma mais assertiva na relação com o PDT do Ceará. A principal delas é o “efeito Lula”. O partido encomendou uma pesquisa para medir o impacto do apoio de Lula a um candidato do partido no Estado. Os resultados fizeram o PT adotar uma postura mais marrenta no balcão político.

A pesquisa foi realizada a pedido do PT nacional. Pelo que o Focus conseguiu apurar, o instituto responsável pelo levantamento foi o Vox Populi de Marcos Coimbra, que fez a apresentação dos resultados na presença de Lula e de outros petistas do Ceará, que participaram da exposição via Zoom.

Os pesquisadores apresentaram ao eleitor diferentes listas em que apareciam José Aírton Cirilo, José Nobre Guimarães e Luizianne Lins como candidatos a governador apoiados pelo candidado a presidente do PT.

Eis a questão: Lula é o mais relevante cabo eleitoral do Ceará. Os nomes, quando colados à candidatura do ex-presidente, recebem entre 40% e 45% da preferência em diferentes simulações envolvendo as candidaturas do PDT (apoiadas por Ciro) e a do Capitão Wagner (apoiado por Bolsonaro).

Não é à toa que o deputado federal José Guimarães está colocando seu nome como candidato a governador em um movimento de ruptura da aliança. Não é à toa que o petismo se sente à vontade para avançar a favor de Izolda Cela e contra Roberto Cláudio.

É importante ressaltar que um nome do PDT, qualquer que seja ele, apoiado por Lula também alcançará os resultados dos próprios petistas. Daí a grande importância que o PDT concede à aliança com o PT, no que pese a recente fala de Ciro Gomes ameaçando a ruptura. Fala esta, diga-se, descontinuada por seus pares no Ceará.

Claro que os resultados coletados pela pesquisa interna do PT representam um retrato do momento. Tais percentuais não necessariamente se reproduzirão na campanha, mas uma onda Lula pode sim arrastar para cima um nome do partido, assegurando resultados que ponham um petista no segundo turno. No mínimo, resultados que tornem o apoio petista fiel da balança para a a segunda etapa da disputa.

Outro fator que engrossa voz do PT do Ceará: Camilo Santana é também importante puxador de votos com sua candidatura ao Senado. Portanto, compondo parte importante da chapa majoritária. Imaginem os leitores um candidato apoiado por Lula e Camilo. Imaginem também que se o PT tiver candidato a governador, Camilo não poderá fazer campanha para um pedetista.

Terceiro fator: a fadiga de material. Este é uma variável que inevitavelmente atinge os grupos que estão no poder há muito tempo. Muito embora o grupo político comandado por Ciro e Cid no Ceará tenha promovido uma significativa renovação de quadros (estão aí RC e Camilo como provas incontestes), a onipresença do sobrenome Ferreira Gomes é um ponto a considerar como efeito que faz fluir um certo, digamos, clima de mudança.

O quarto fator: no momento, as pesquisas vêm apontado um desepenho de Ciro Gomes  entre os eleitores do Ceará muito aquém das necessidades do líder pedetista. Ciro aparece em terceiro lugar em sua terra. Em política, liderar em casa é quase sempre uma obrigação base para o sucesso em outras paragens. Certamente, essa variável deixa o petismo mais confortável para lançar seus dados.

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.