Relatório do Itaú diz que gestão coloca Ceará e Fortaleza na “nova ordem” do futebol brasileiro

Os dois gigantes do Ceará estão na Série A do Brasileirão e se notabilizam também pela presença do público pagantes em seus jogos. "A força da gestão ocupa espaço de clubes que já não suportam o peso da dos erros do passado nem da má gestão do presente", diz o relatório.


Ceará. Foto: Ceará Sporting Club.

Átila Varela
atila@focus.jor.br

Componentes da Série A, Ceará e Fortaleza já são dois campeões no quesito gestão e planejamento. É o que revela relatório divulgado hoje pelo banco Itaú BBA. Para realizar o levantamento, a instituição pesquisou informações financeiras dos clubes no ano de 2019.

O resultado é que o Vovô e o Leão são os “emergentes” que começam a despontar na “nova ordem” do futebol brasileiro. “O futebol brasileiro em 2019 viu surgir forças capazes de rivalizar com nomes outrora vencedores. Agora é possível ver o Athletico, o Bahia, o Fortaleza, Ceará e Goiás com possibilidades reais de tornarem a Série A seu habitat natural”, destaca o documento.

O relatório ainda afirma que gigantes nacionais se tornaram insustentáveis.  “A força da gestão ocupa espaço de clubes que já não suportam o peso da dos erros do passado – como Vasco, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro – nem da má gestão do presente – casos de Corinthians, São Paulo, Internacional, Atlético Mineiro, Santos – que a cada ano cavam um pouco mais a vala que se forma no círculo vicioso dos gastos excessivos, das dívidas que se acumulam e não são pagas. Dívidas que são efeito das más gestões e não causa delas”, critica um trecho da pesquisa.

Também pontua o papel de Flamengo e Palmeiras, dois grandes clubes que seguem com investimentos e sustentabilidade financeira. “Enquanto adversários tradicionais ainda optam por estratégias de curto prazo, gastando o que não tem pela glória da conquista imediata, sem pensar na sustentabilidade do clube, Flamengo, Palmeiras e Grêmio deixaram rivais para trás, cada um ao seu modo. Porque cada modelo é diferente a depender da necessidade e das possibilidades, além das ferramentas disponíveis”, explica.

Ceará no rumo certo
O Ceará segue o que o banco chama de “rumo certo” em 2020 e faz projeções. “Imaginamos queda de 30% nas receitas, que podem ser compensadas com aumento na venda de atletas. Mas o clube não pode ser rebaixado, o que quase ocorreu nas duas últimas temporadas, pois isso impacta as receitas com TV”, projeta.

Custos poderão ser reduzidos e o cenário desafiador tende a ser ultrapassado. “Trabalhamos com redução de 18% nos custos e despesas, mas aqui o clube tem mais margem para reduzir, dado os montantes elevados de 2019. No final, com geração de caixa (Ebitda) pouco abaixo de zero, e ainda boa capacidade de se alavancar por ter dívidas baixas, o Ceará tem condição de atravessar as dificuldades de 2020”, ressalta.

Atualmente o envolvimento dos torcedores representa 23% das receitas do clube, colocando como a segunda maior fonte. “É preciso continuar com os pés-no-chão, jogando junto com o torcedor e buscando soluções que permitam maior eficiência no uso do dinheiro. “Ao ver equipes de presença nacional em dificuldades, surge uma enorme oportunidade para que o clube se solidifique e permaneça de forma sustentável na elite do futebol brasileiro”.

Fortaleza de grão em grão
Para 2020, a expectativa é que o Tricolor de Aço seja impacto pela redução de valores recebidos de sócios torcedores e bilheteria, que é uma importante fonte de renda. “No lado dos custos e despesas esperamos redução da ordem de 26%, com corte de custos com pessoal e outros ajustes. O cenário esperado é de pior desempenho e isso tende a elevar a dívida. Mas nada que signifique mudança relevante na estrutura”, avalia a publicação.

A situação, no entanto, é equilibrada para o clube. “Trata-se de um time que tem poucas dívidas, equacionadas, que tem boa diversidade de receitas e depende menos que a média da TV. Mas vive de maneira justa, com pouca geração de caixa, e isso deixa menos margem na hora de enfrentar problemas”, considera.

“Em 2020 a situação apresenta um desafio que é conseguir se financiar de maneira eficiente. Hoje o clube depende de mútuos de sócios, mas o ideal é buscar autonomia financeira para se financiar com prazos longos e estrutura estável, criando reconhecimento no mercado de sua gestão”, pontua o documento.

Por fim, o caminho está sendo construído de forma segura. “Esperamos que os passos continuem a serem dados de acordo com o tamanho das pernas”, finaliza o levantamento.