De José Dirceu: “Fomos derrotados nas ruas e nas urnas”

"Fizemos política com os católicos, os bispos, as comunidades de base, as pastorais, nos anos 70, 80, 90… A classe trabalhadora da qual o PT é originário não existe mais".


Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

O ex-ministro José Dirceu, como tem sido peculiar nos últimos meses do PT, foi quem mais chamou a atenção no evento de 39 anos da legenda, ocorrido na segunda-feira, 11, no Sindicato dos Bancários em Brasília. Discursou por dez minutos, fez auto-crítica e disse que os petistas foram derrotados nas urnas e nas ruas em 2018. “E mais: que os evangélicos estão mais próximos do povo do que  o PT”, informa a Coluna Radar, da Veja.

Bom, a crescente ascensão dos evangélicos e afins no meio social e, portanto, político já havia sido detectada numa pesquisa qualitativa encomendada pelo próprio PT, via Fundação Perseu Abramo, realizada nas áreas periféricas de São Paulo ainda em 2015. Estava tudo lá. Entre os pontos elucidados, ficou demonstrado com clareza na pesquisa a veia liberal e empreendedora da maioria dos eleitores. Estava lá também a concepção de que o Estado e não os patrões é que atrapalha o cotidiano das pessoas.

A coluna Radar disse ainda o seguinte acerca da fala de Dirceu: “Para ele, o pacote de Sérgio Moro é uma licença para matar. Chamou o governo de Bolsonaro de conservador, reacionário, fundamentalista e que leva o país para a Idade Média”.

“Se nós não estamos do lado do povo, os evangélicos estão. E não podemos criticar os evangélicos. Nós fizemos política com os católicos, os bispos, as comunidades de base, as pastorais, nos anos 70, 80, 90… A classe trabalhadora da qual o PT é originário não existe mais. Fomos derrotas nas ruas e nas urnas. Temos base política e social forte, mas não temos o povo organizado”.

Dirceu prometeu não mais promover a disputa interna no PT. “Agora é outro momento. O Lula está preso, a Dilma sofreu o impeachment e fomos derrotados numa eleição”.