Pesquisa e sucessão estadual no Ceará, a análise de Ricardo Alcântara

"O que de mais significativo a pesquisa demonstra é que, na largada da disputa, RC e Izolda se equivalem e ambos têm grandes chances de enfrentar a oposição com viabilidade".


RC e Izolda sob o guarda-chuvas de Camilo.

Publicada há poucos dias, uma pesquisa eleitoral do Instituto Paraná abordou a sucessão estadual. São indicativos preliminares, colhidos quando ainda não estão claros para a população os fatores determinantes à decisão de voto e, ainda sem os estímulos da propaganda política, ela mesma não colocou a cabeça para pensar no assunto.

Capitão Wagner credenciado pela liderança numérica tanto na pesquisa espontânea quanto na estimulada.

O que mais se destaca no levantamento é a consolidação do nome do candidato da oposição, Capitão Wagner (9,9% de indicações espontâneas). O número não é, em si mesmo, elevado, uma vez que o deputado não desce do palanque e vive em permanente estado de candidatura, mas é muito superior aos demais — todos abaixo de 3%.

No campo governista, foram pesquisadas somente as opções que o ambiente político considera pertinentes: o ex-prefeito Roberto Cláudio e a governadora Izolda Cela. E, de início, o que de mais significativo a pesquisa demonstra é que, na largada da disputa, eles se equivalem e ambos têm grandes chances de enfrentar a oposição com viabilidade.

Por um lado, Roberto tem um percentual mais alto, mas, em igual medida, a rejeição ao nome de Izolda é menor. Pela experiência eleitoral, o ex-prefeito poderia representar uma opção mais segura. Mas ela é já a governadora e teria meios mais amplos, tangíveis e comunicacionais, de fortalecer seu nome no curso do processo eleitoral.

No entanto, a equivalência apontada (ainda que relativa, como demonstramos) se dissolve em favor de Izolda Cela por força de um aspecto que as pesquisas ainda não alcançaram porque não fizeram o dever de casa direito: antecipar para o eleitor determinadas informações contextuais para obter uma resposta mais próxima do que virá mais adiante.

No caso, o aspecto diferencial é político: a governadora conta com a preferência de forças importantes (PT e MDB, dois dos principais aliados, já se manifestaram em favor de seu nome) e, mesmo calado, o candidato ao senado Camilo Santana mal disfarça igual preferência — ele, a liderança com maior potencial de transferência de votos no Ceará.

Portanto, considerando a prevalência do nome de Izolda sobre Roberto no campo da sua aliança, é conclusivo que a equivalência numérica na pesquisa a fortalece: como nunca disputou uma eleição majoritária na cabeça da chapa, das pesquisas de opinião é que poderia vir alguma contraindicação. Só que não. Tem boas condições de crescer.

A preço de hoje, não seria um tour olímpico para nenhum deles. Por mais atributos positivos que possam demonstrar, irão representar um grupo político, agora no PDT, que compartilha do poder há não menos do que 35 anos. Nem os mais devotados católicos suportariam ver sua santidade o papa por tanto tempo a pregar no Vaticano.

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Ricardo Alcântara é escritor e publicitário