Pesquisa Atlas: O tamanho do antibolsonarismo e do antipetismo

Equação: bolsonarismo é maior que o petismo, mas o antibolsonarismo é maior que o antipetismo. Essa sentença ajudará a explicar o resultado da eleição presidencial no próximo domingo.


Conteúdo PollsterGraph*
Por Yuri Sanches

A pesquisa AtlasIntel trouxe informações valiosas sobre a classificação do eleitorado brasileiro em relação ao bolsonarismo. A parcela dos anti-bolsonaristas é maior na sociedade, com 45% dos respondentes se identificando assim. Os “nem-nem”, nem bolsonaristas, nem anti-bolsonaristas somam 28%. Já os que se intitulam bolsonaristas são 27%.

Você se identifica como bolsonarista, anti-bolsonarista, ou nem bolsonarista, nem anti-bolsonarista?

O resultado indica que uma parcela considerável da população rejeita o modo Bolsonaro de fazer política após 4 anos de governo. Os 27% de bolsonaristas convictos revelam que o presidente conta com uma base sólida do eleitorado, que permanece em seu apoio mesmo diante das controvérsias e investigações envolvendo sua gestão da pandemia de Covid-19 e possíveis ligações com casos de corrupção.

Chave para o entendimento do desempenho eleitoral de Bolsonaro são os 28% de “nem-nem”. O grau em que esse grupo se inclina a favor ou contra o presidente diante de escândalos ou na defesa de seus interesses e valores é determinante para o sucesso ou o fracasso de suas intenções políticas ou dos candidatos que recebem seu apoio. Os “nem-nem”, por exemplo, são uma parcela sensível a mudanças quando confrontadas com a atuação do Judiciário nas eleições ou eventuais excessos e ataques de Bolsonaro às instituições. Seu movimento pendular é estratégico e evidentemente explorado por ambas as campanhas presidenciais.

Uma comparação importante é com o nível de petismo e anti-petismo no país, também revelado pela pesquisa Atlas divulgada hoje (24).

Você se identifica como petista, anti-petista, ou nem petista, nem anti-petista?

O anti-petismo é menor que o anti-bolsonarismo, com 30% da população rejeitando abertamente o partido de Lula. Já a parcela dos “nem-nem” em relação ao PT é maior, representando 45% dos respondentes. Esse dado indica uma margem de manobra considerável para a campanha do ex-presidente, se souberem se posicionar diante de temas sensíveis à população, como pobreza e desigualdade, mas também corrupção e criminalidade, que têm representando grandes desafios para a candidatura petista.

Metodologia

A pesquisa AtlasIntel que identificou o grau de identificação com o bolsonarismo teve 862 respondentes de todo o país e foi realizada entre os dias 23 e 24 de outubro, com margem de erro de 3 p.p. para mais ou para menos. A pesquisa foi realizada através do método de coleta próprio da AtlasIntel, com questionários via web e pós-estratificação da amostra.

*Focus mantém parceria com a PollsterGraph para reprodução e compartilhamento de conteúdos

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.