Pela virada na cultura de investimentos dominada pelos bancos, por Rafael Regueira

Como as novas tecnologias estão derrubando a hegemonia das velhas instituições bancárias.


Rafael Regueira Gama, 23 anos, graduando em Engenharia de Produção na Unifor. Entusiasta e estudioso do mercado, coordena investimentos de familiares e amigos.

A XP Expert 2019, o maior acontecimento sobre investimentos no mundo, ocorreu no último final de semana, no Transamerica Expo Center, na cidade de São Paulo. Ao longo de seus três dias de duração, o evento contou com a presença de diversos palestrantes de peso e a participação de quase 40 mil pessoas, incluindo investidores de pequeno, médio e grande porte.

O que um evento dessa magnitude representa para um país como o Brasil, País marcado pela cultura do investimento hegemonizada por um punhado de grandes bancos? A resposta é simples: os efeitos disruptivos da internet e das novas tecnologias estão dando uma virada nessa cultura, democratizando o acesso a amplas faixas sociais.

Com grande poder de gerar equidade, as novas tecnologias desbravam um mundo mantido em segredo e muito bem escondido dos olhos do brasileiro médio que gosta de poupar suas economias, mas é cercado de diversos tabus convenientemente criados a respeito de investimentos que não sejam aqueles oferecidos pelas instituições financeiras tradicionais.

Entre os quais, o mais propalado dos tabus: investir em ações, em bolsas e em papeis não tradicionais é apenas para pessoas ricas. Outro: o mercado financeiro é muito arriscado. Ou seja, a ideia foi introjetar na cabeça das pessoas que, para os não milionários, só serve a poupança e aquela velha letra de cambio oferecidas pelo entediado gerente do banco.

Claro que o efeito hoje facilmente verificado é o imenso descontentamento com as baixas rentabilidades e altas taxas de administração praticadas pelos produtos de investimento selecionados por grandes players do setor bancário.

Ao longo do evento deu-se a firme luta contra todos estes tabus. O objetivo é a inclusão de imensos contingentes de nossa população, formadas pelo pequeno e médio investidor, em um mercado dinâmico, repleto de oportunidades e, sim, acessível a todos.

O evento montou um storytelling muito didático, o qual se inicia com a palestra do “super ministro” da economia. Paulo Guedes tratou de dar sua versão otimista da economia com os esperados efeitos das novas medidas fiscais e econômicas. Afinal, quem passa mais credibilidade do que o homem que tem a responsabilidade de carregar a política econômica do país nas costas?

Seguindo a programação, o ministro Sérgio Moro, ovacionado em pé por mais de um minuto pelo público presente, falou sobre a luta contra a corrupção e sobre o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sua fala buscou mostrar que o objetivo é construir a segurança institucional e jurídica tão necessárias para atrair investimentos para o Brasil.

A presença de Jorge Paulo Lemann, sócio controlador da Ab Inbev, e Guilherme Benchimol, presidente da XP Investimentos, foi um dos pontos altos do encontro. Um bate-papo descontraído, que acabou com uma “partida” de tênis no palco entre os dois, discutiu as semelhanças entre a cultura organizacional da Ambev, uma das empresas brasileiras mais bem-sucedidas na História, e da anfitriã XP, que se tornou referência nacional no mercado de investimentos.

No encerramento do evento, o economista Ricardo Amorim fez uma leitura da conjuntura e relatou os bons motivos para se começar a investir no Brasil. Para ele, estamos apenas no começo de um período de alta do mercado econômico e, portanto, das boas perspectivas no setor de investimentos.

Os milhares de participantes puderam presenciar um momento de forte alta do Ibovespa, índice tido como o termômetro do mercado acionário brasileiro, e de todos os ativos mencionados pelos gestores como apostas para o momento econômico vivido pelo Brasil.

Coincidência? Talvez. Mas o que de fato não pode ser negligenciado é que, com as taxas de juros na maior baixa da historia com ainda perspectivas maiores de redução do ‘Brasil dos rentistas’, onde se era possível ter retornos satisfatórios sem risco algum, precisa se tornar o “Brasil do empreendedorismo e investimento mais arrojados” para se manter conseguindo bons retornos nos anos por vir.

Como já dizia o dito: O mercado acionário pode ser arriscado, mas mais arriscado é ficar fora dele no longo prazo.