Os “fatores externos” de que falava Cid (quando Cid falava); Por Ricardo Alcântara

"A escolha do candidato de um arco amplo de alianças, ainda mais se houver outros nomes igualmente habilitados, não pode se dar sem que se leve em conta a coesão com os partidos aliados de maior expressão eleitoral".


Se Roberto Cláudio se reelegeu e fez seu sucessor foi porque entregou resultados. Os cearenses estariam em boas mãos se fosse eleito governador. Os fatos confirmam e não vale a pena brigar com os eles.

No entanto, a escolha do candidato de um arco amplo de alianças, ainda mais se houver outros nomes igualmente habilitados, não pode se dar sem que se leve em conta a coesão com os partidos aliados de maior expressão eleitoral.

Foi exatamente isso o que quis dizer o senador Cid Gomes quando, em encontro regional do seu PDT, aludiu à necessidade de considerar “fatores externos” na escolha do nome. Ele é pragmático e sabe onde as andorinhas dormem.

O PDT precisa decidir, e já, se tem como prioridade, de fato, manter sua aliança com o PT. Nesse caso, o nome que oportunizaria maiores chances de êxito à continuidade daquele projeto político seria o da governadora Izolda Cela.

Izolda, como as notícias confirmam, é o nome que mantém coeso o conjunto de forças que garantiu a continuidade desse projeto. Candidata, se evitaria enfrentar um adversário apoiado pelo candidato favorito dos cearenses à presidência, Lula da Silva. Não é pouca coisa, não.

Ela já está no lugar pretendido. O discurso de permanecer – quando a gestão tem boa aprovação – é mais vigoroso do que o discurso de conquistar. Candidata no exercício do mandato, compromissos assumidos na campanha terão maior força e meios mais imediatos de garantir apoios.

Adeptos de Roberto Cláudio aludem a pesquisas. Ora, o próprio ex-prefeito, em sua primeira eleição, provou que nível de conhecimento não é obstáculo quando se representa um projeto com aprovação. E provou novamente ao eleger José Sarto.

Mais do que opinião, o que se oferece aqui é um cálculo. Mas se poderia colocar a questão também como uma simples pergunta: o candidato de oposição, Capitão Wagner, prefere enfrentá-los divididos? Pois é. Claro que sim.

Ricardo Alcântara é publicitário e escritor.