Os bastidores da saída do Dr. Cabeto

O médico deixa a Secretaria com vários marcos. Entre eles, uma Fundação de direito privado que está contratando seis mil pessoas, via concurso, pelo regime da CLT (portanto, sem o vício do emprego vitalício) para trabalhar em hospitais da Pasta. Sai a terceirização entra o contrato de trabalho.


Camilo e Cabeto durante lançamento do concurso que vai contratar médicos e outros profissionais de saúde via CLT.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Surpresa para muitos, a saída do médico Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho do comando da Saúde no Ceará já era esperada há meses pelos seus interlocutores mais próximos. Inclua-se no rol o governador Camilo Santana.

Cabeto e o governador acertaram a saída na ultima sexta-feira. O ato foi concretizado em uma carta entregue nesta terça-feira, 16 de agosto, a Camilo. Foram dois anos e cinco meses à frente das políticas públicas de Saúde do Ceará. No total, 29 meses. 17 deles na emergência da pandemia.

Profissional médico e professor respeitado, o destino imediato do Dr Cabeto é o hospital Monte Klinikum no qual costuma varar as noites entre seu consultório, a UTI e apartamentos que “hospedam” pacientes em recuperação. Lugar de onde, na verdade, nunca saiu por completo. A lista vip de clientes diminuiu com as funções na Secretaria de Saúde, mas o médico jamais deixou de atender.

Quando a pandemia arrefeceu no ano passado, o plano e Cabeto era deixar o Governo em dezembro. Porém, a segunda onda da Covid-19 veio avassaladora. Não ficaria nada bem deixar a pasta em meio à gravidade do cenário. Tanto que agora, com uma baixa significativa de internações e mortes, as circunstâncias permitiram o caminho de volta ao consultório. Sem traumas.

Cabeto deixa uma Secretaria de Saúde com uma diferença muito relevante: a criação, funcionamento e primeiro concurso para contratação de pessoal da Fundação Regional de Saúde (Funsaúde). Criada pelo Governo do Estado em 2020, em plena pandemia, a Funsaúde é uma entidade pública, de personalidade jurídica de direito privado. Compreendem?

A Fundação está prestes a realizar o seu primeiro concurso público. Nada mais, nada menos que seis mil vagas. A maioria (5.581 vagas) para a área de assistência à saúde. 419 para compor a área administrativa da própria Funsaúde. A prova será em outubro. A FGV foi a instituição de ensino contratada para aplicá-la.

Atentem para esse ponto: como se trata de uma entidade pública de direito privado, os candidatos admitidos no concurso da Funsaúde serão contratados como empregados públicos, com vínculo de trabalho regido pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). É claro que o formato está causando rebuliço.

Mais detalhes dessa história na próxima postagem.

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.