OAB-CE e a fogueira das vaidades, por Edson Santana

"Em vez de discutir a insalubridade do Fórum Clóvis Beviláqua, por exemplo, escolhem demitir funcionários"


Edson Santana é advogado e sócio do Escritório Santana, Maia e Pessoa Advogados

Edson Santana
Post convidado

Enquanto o Brasil, angustiado, lamenta uma crise econômica que atinge todas as classes sociais, com repercussão séria em todas as profissões e unidades federativas, os advogados cearenses continuam não encontrando apoio dos dirigentes da OAB-CE para solucionar problemas recorrentes.

As correntes que se alinharam para obter êxito eleitoral na ordem, mergulhadas em uma crise institucional pela disputa de poder, não avançam sob nenhum aspecto para resolver problemas antigos como a inserção do jovem advogado no mercado de trabalho, problemas da advocacia do interior, dificuldades no dia a dia da justiça do trabalho, ou até mesmo lidar com o judiciário cearense que segundo dados do CNJ continua a ser pelo décimo ano consecutivo um dos mais lentos do País.

Em vez de discutir a insalubridade do Fórum Clóvis Beviláqua, por exemplo, escolhem demitir funcionários, como se a instituição devesse atender os anseios e caprichos individuais e não de toda a categoria.

A verdade é que como numa ladainha antiga, a fogueira das vaidades e a pirotecnia dominam as conturbadas ações dos atuais gestores, que cultivam status de grandeza e mordomia, viajando de um lado para outro na velha política do pão e circo, instigados pelas disputas pessoais, enquanto a advocacia, desvirtuando-se dos próprios sonhos, busca em outras carreiras, pequenos negócios, no comercio e até mesmo em aplicativo de transporte a sobrevivência.

É incompreensível como uma instituição outrora forte, tem se apequenado justo por ser administrada por mãos que não se esforçam para compreender a realidade dos tempos atuais, nem tão pouco expressam disposição para enfrentar os antigos e novos desafios.

Enquanto as disputas internas se acirram, com uma exposição desnecessária da instituição e dos advogados, o barco continua em mares revoltos, distante de qualquer porto seguro a espreita de um grito de liberdade, em busca de novos horizontes capazes resolver problemas antigos e abolir as disputas de egos.

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