O pão nosso de cada dia, por Augustino Chaves

Em seu artigo, o articulista faz a defesa da era Lula: "Quem mais precisava, quem vive uma tragédia diária, foi contemplado"


Em um espaço de cinco anos, o salário mínimo ficou cinquenta por cento mais forte.

Os dezessete milhões de benefícios previdenciários (números de então) acoplados ao salário mínimo, idem; também subiram, pegaram esse elevador.

Quem era o Presidente da República nesse período (2005 a 2010)? Você acertou: Lula, ex-operário, ex-retirante, ex-sofredor de fome.

Esse estupendo aumento do salário mínimo, invertendo o que sempre acontecia, seria suficiente, mais do que suficiente, para encerrar essas breves linhas que tratam da questão das consequências dolorosas da concentração de renda. Esse dado seria o nosso melhor outdoor.

Mais vamos a mais um passo, a saber, outras importantíssimas políticas públicas. Iria falar a vocês, ainda que de passagem, acerca de sete políticas públicas, daqueles dias, que melhoraram a vida de milhões de pessoas.

Entretanto, nesse artigo, que tem a marca da brevidade, vamos destacar apenas uma, a mais conhecida, o inquestionável programa Bolsa Família. Eficiente. Isento em sua execução.

Assim aconteceu a maior redução da pobreza e da desigualdade no Brasil. Precisa dizer mais?

Agora, meus caros e minhas caríssimas, um interlocutor eminente, indaga-me, diretamente de seus altos estudos de Harvard: e pelos empresários? Preciso apresentar a esse cidadão apenas um dado: 523 por cento, entre 2002 a 2010, foi o crescimento da BOVESPA. É isso mesmo: 523 por cento. Superou todas as outras bolsas do Mundo. Como diriam os chineses, esses obstinados que nunca param: essa imagem vale por mil discursos.

Contrapontos formam o real, sempre chegam, e são bem vindos. O mais frequente: essa temporada sob os auspícios de Lula viu-se beneficiada com a exportação de soja e de minério de ferro à China.

Sim, claro que sim, ainda bem. Mas esse fato em nada determina a postura de combate à concentração de renda que aqui se relata.

Para ficarmos no plano internacional: não nos afetamos com a crise de 2008, Lula, no leme, efetivou medidas anticíclicas.

“A Política é a expressão concentrada da Economia”. Sim, camarada professor, entendido, agradecido, daí se vai buscar a história em números e estatísticas.

(Entretanto, registre-se que a Política é isso e mais do que isso).

O desdobramento do debate, em difusas perspectivas, em múltiplos assuntos, é natural.

Mais uma primeira coisa é certa: quem mais precisava, quem vive uma tragédia diária, foi contemplado. Roma locuta, causa finita. Brasil locuta, causa finita.