O Liberalismo é a defesa da individualidade, por Igor Macedo de Lucena

O Liberalismo clássico rechaça fundamentalmente que conceitos abstratos como “o coletivo”, “a sociedade”, “o bem comum” possam se sobressair sob conceitos concretos como “o ser humano”, “a pessoa”, o “indivíduo”.


Articulista do Focus, Igor Macedo de Lucena é economista e empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs  e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.

O que é o liberalismo? Hoje é um conceito que está no dia a dia das pessoas. Fala-se sobre liberalismo quando se defende a privatização de estatais, quando se defende a reforma da previdência e em muitos casos o liberalismo no Brasil moderno está associado fundamentalmente ao renascimento da direita no país.

Liberalismo no conceito tradicional tem suas raízes nos pensamentos filosóficos de John Stuart Mill, Edmund Burke e Adam Smith, ainda no século XVII, marcados principalmente pela Revolução Francesa e pela Independência dos Estados Unidos.

Com o desenvolvimento da teoria liberal e da sua influência na política e na economia das nações ocidentais, outros pensadores no século XX, como Milton Friedman e Harry Markowitz adaptaram a teoria para os tempos atuais e para as relações do mercado financeiro.

Os liberais focam suas teorias na ideia de um governo limitado, direitos civis e direitos humanos, capitalismo de mercado, democracia, igualdade de gênero, igualdade racial, liberdade de expressão, liberdade de imprensa e liberdade de religião.

O Liberalismo influenciou diretamente a maneira de como os líderes de nações defenderam o cidadão como foi o caso do ex-presidente norte-americano Ronald Reagan em seu discurso We The People:A nossa foi a primeira revolução na história da humanidade que realmente inverteu o curso do governo, e com três pequenas palavras: “nós, o povo”. “Nós, o povo” dizemos ao governo o que fazer, não o contrário. “Nós o povo” somos o motorista e o governo é o carro. Nós decidimos para onde ele deve ir e por qual rota e com que rapidez. Quase todas as constituições do mundo são documentos em que os governos dizem ao povo quais são seus privilégios. Nossa Constituição é um documento no qual “nós, o povo” diz ao governo o que ele pode fazer.” 

Quanto mais o governo tributa, quanto mais regras e leis são criadas, menos se tornam as opções dos cidadãos e menor fica a liberdade das pessoas. Para Regan, o homem não é verdadeiramente livre a não ser que o governo seja limitado. Quanto maior o Estado se torna, menor é a liberdade das pessoas.

Na concepção do que é público e privado, a ex-primeira ministra do Reino Unido, Margareth Thatcher, acabou com a falácia de que existem contribuintes ou dinheiro público, pois o respeito ao dinheiro do cidadão é a única fonte de riqueza das sociedades. Um dos grandes debates do nosso tempo é sobre quanto do seu dinheiro deve ser gasto pelo Estado e quanto você deve gastar em sua família. Nunca nos esqueçamos desta verdade fundamental: o Estado não tem outra fonte de dinheiro além do dinheiro que as pessoas ganham. Se o Estado deseja gastar mais, pode fazê-lo apenas emprestando suas economias ou taxando-o mais. Não é bom pensar que alguém vai pagar – que “outra pessoa” é você. Não existe dinheiro público; existe apenas o dinheiro dos contribuintes.” 

Milton Friedman defendia que a liberdade de empreendedorismo e que a busca do seu próprio interesse era a chave do capitalismo e por meio do livre comércio seria a maneira mais capaz de melhorar a vida dos cidadãos.  “O mundo funciona com indivíduos que perseguem seus interesses específicos. As grandes conquistas da civilização não vieram de agências governamentais. Einstein não construiu sua teoria sob a ordem de um burocrata. Henry Ford não revolucionou a indústria automobilística dessa maneira. Nos únicos casos em que as massas escaparam da miséria (que você está falando), os únicos casos registrados na história são onde eles tiveram contato com o capitalismo e grande parte do livre comércio. Se você quer saber onde as massas estão piores, é exatamente nos tipos de sociedades que nos mantem longe disso”. 

O pai da economia Adam Smith mostrou como o Liberalismo pôde ser facilmente aplicado aos princípios econômicos e como o autointeresse desenvolve toda uma sociedade. “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas de sua consideração por seus próprios interesses. Nós nos dirigimos não à sua humanidade, mas ao seu amor-próprio, e nunca falamos com eles de nossas próprias necessidades, mas de suas vantagens ”.

O Liberalismo clássico rechaça fundamentalmente que conceitos abstratos como “o coletivo”, “a sociedade”, “o bem comum” possam se sobressair sob conceitos concretos como “o ser humano”, “a pessoa”, o “indivíduo”.

Esses pensadores aplicaram os princípios do Liberalismo em vertentes diferentes e em momentos históricos distintos, contudo a raiz do Liberalismo clássico, algo que está presente até hoje e deve ser defendido “com unhas e dentes” é de fato de que essa teoria propõe a defesa dos direitos inalienáveis do indivíduo.

Eu, o indivíduo. Você, o indivíduo. Nós, os indivíduos.