Mercado político avalia que Ciro quer implodir aliança com PT para viabilizar RC

Com o veto generalizado do petismo a Roberto Cláudio, Ciro passou a entender que só viabilizará a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza sem a parceria com o PT.


Ciro e RC: a aposta é que Ciro quer RC candidato ao Governo nem que seja preciso desmontar a aliança.

Ao dirigir sua artilharia para o PT do Ceará, um aliado que tem Camilo Santana como principal âncora política, Ciro Gomes fez com que uma parte importante do mercado político passasse a fazer a seguinte leitura: Ciro trabalha para implodir a aliança do PDT com o PT. Dessa forma, o petismo seria obrigado a lançar candidato próprio ao Governo. Isso mesmo.

O raciocínio é o seguinte: com o veto generalizado do PT a Roberto Cláudio, Ciro passou a entender que só viabilizará a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza sem a parceria com o PT.

A fala de Ciro na entrevista à TV Jangadeiro foi clara: “É bom que todo mundo saiba que esse acordo [entre o PT e o PDT] vai ocorrer se o interesse do Ceará estiver acima. Se for com negócio de conchavo e picaretagem, eu topo enfrentar o PT também”.

Na seqência, Ciro disse que “o que falta para definir o candidato [do PDT do Ceará] é consulta para ouvir o povo”. Perceberam? Não falou em ouvir bases, os aliados ou coisa que o valha.

Ao dizer que não vai  se “submeter a um lado corrupto do PT que também existe no Ceará”, Ciro Passou outro recado ao petismo. Até citou Luizianne, mas seu alvo parece não ser exatamente a ex-prefeita.

Atentem que a fala de Ciro emendou o tiroteio dirigido ao PT com a trajetória de Roberto Cláudio. “Qual é o defeito, por exemplo, do Roberto Cláudio?” Pois é. O “Por exemplo”, poderia considerar também as pré-candidatura da governadora Izolda Cela, do presidente da Assembleia, Evandro Leitão, ou do seu fiel escuderira na área econômica, Mauro Filho.

No fim das contas, o mercado político entendeu o seguinte: Ciro quer RC candidato ao Governo nem que seja à custa da aliança com o PT. Sim, é um jogo arriscado.

 

 

 

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.