Lula: “certamente começará a ter manifestações no Brasil”

Ex-presidente afirmou que poderão insurgir protestos semelhantes aos que ocorrem na América Latina no Brasil. Em sua avaliação, trata-se apenas de questão de tempo


Ex-presidente Lula | Foto: divulgação
Ex-presidente Lula | Foto: divulgação

Equipe Focus
focus@focus.jor.br

O ex-presidente Lula afirmou que poderão insurgir protestos semelhantes aos que ocorrem na América Latina no Brasil. Em entrevista ao El País, o petista declarou que se trata apenas de uma questão de tempo.

“Acredito que não tenha protestos no Brasil porque faz muito pouco tempo que o Bolsonaro foi eleito presidente da República, ou seja, ele ainda não completou um ano de Governo. No primeiro ano de Governo o povo tem uma expectativa de que alguma coisa boa pode acontecer. Mas o que está acontecendo neste instante? Se agrava a questão do desemprego, da diminuição da renda, tendo dificuldade de comprar as coisas mínimas para comer, por exemplo, a carne aumentou muito, o gás de cozinha, ou seja, as pessoas estão cada vez ganhando menos. Tem muita gente vivendo com pouco dinheiro e o Governo não fala em política de desenvolvimento. Isto vai criando uma insatisfação. Na medida que essa insatisfação tiver acumulada, certamente começará a ter manifestações no Brasil. E o Governo tem que compreender que isso faz parte da democracia”, declarou.

No entanto, tratou de ressaltar que não irá conclamar a esquerda para as ruas. “O papel de um ex-presidente da República não é o de ficar agitando a sociedade contra quem ganha as eleições. Uma vez conversando, tanto com o [ex-presidente espanhol] Felipe González quanto com [o ex-presidente norte-americano] Bill Clinton, me disseram que não é uma boa política um ex-presidente ficar fazendo oposição sistemática e pedindo ‘fora presidente’, e pedindo impeachment. Não é o papel de um ex-presidente. Meu papel neste instante é tentar provar à sociedade brasileira que somente com muita democracia, somente com muita distribuição de renda e emprego você vai criar condições deste país crescer”, explicou.

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