Lula – Alckmin: Aliança com DNA paulista. Por Ricardo Alcântara


Ricardo Alcântara é publicitário e escritor.

Quando reunido com investidores nos EUA para explicar o êxito do Plano Real, o então ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse a eles que “seria impossível chegar onde chegamos sem o ajuste que o governador Mário Covas fez nas contas de São Paulo”.

Cito o episódio aqui apenas para trazer o testemunho inequívoco da história sobre o peso condicionante que tem aquele estado na conjuntura geral do país. É mais fácil navegar numa direção quando de SP sopram correntes de vento mais favoráveis.

E cito-o agora para sustentar a relevância de um aspecto que certamente foi levado em conta na tomada de decisão de Lula da Silva em construir uma aliança eleitoral em que Geraldo Alkmin pudesse receber oportunidades e, consequentemente, oferecer vantagens.

Entre outros ganhos, tratados aqui em artigo recente, com Alkmin em sua chapa Lula almeja contar, a tal preço, com o apoio dele a Fernando Haddad para o governo de São Paulo, com a retirada do correligionário, Márcio França, da disputa em 2022. Está acertado, dizem.

Lula sabe o que o aguarda, se vencer: dados os antecedentes desabonadores, fará o governo mais vigiado da república brasileira, isso num país economicamente quebrado e políticamente dividido. Vai descascar um saco de batata com as unhas.

Será uma tarefa mais árdua e de metas mais modestas se não puder contar com o apoio incondicional de pelo menos um governador nos três estados (SP, MG e RJ) que movem a economia e com bancadas no congresso determinantes nos momentos de crise.

Portanto, há um antes e um depois nos objetivos estratégicos do PT em construir a aliança com Alkmin: o antes é dividir o Centro, se antecipando à possível emergência de um candidato nesse campo caso se dê o não improvável naufrágio da candidatura de Bolsonaro.

O depois é a governabilidade – essa chapa quente do presidencialismo de coalizão, produto da Constituição de 1988, que já fritou dois presidentes e chamuscou todos os demais inquilinos do Palácio da Alvorada.