Lubnor: privilegiados 321 mil m² de Fortaleza foram privatizados

Veja também a história em fatos e fotos da planta industrial que teve grande influência no crescimento urbano de Fortaleza, do Ceará e de muitas das grandes cidades do Norte e Nordeste.


Lubnor, encravado em um imenso terreno com vistas para aa Beira Mar e Praia do Futuro.

Prestes a completar 56 anos, a Lubnor, que nasceu com o nome de Asfor, é parte muito importante do processo de desenvolvimento econômico e urbano de Fortaleza, do Ceará e de todos os estados que compõem a Região Nordeste. É de lá que saiu praticamente toda a matéria prima para fazer o asfalto das ruas e estradas do Norte e Nordeste.

É uma pena para a cidade que a planta industrial não tenha se mudado para a área do Porto do Pecém, muito mais indicado para este tipo de equipamento. As grandes cidades do mundo já retiraram indústrias “sujas” de suas áreas.

A Lubnor está localizada em um imenso e privilegiado terreno na esquina litorânea de Fortaleza, entre a Beira Mar e a Praia do Futuro. Agora, os seus 321 mil m² vão graciosamente para as mãos privadas. Não duvidem que somente o referido terreno alcance o preço pelo qual a Petrobras privatizou a empresa.

Portanto, quando a Petrobras vende a Lubnor está passando adiante, para patrimõnio privado, essa valiosa área urbana de Fortaleza. Uma localização que sempre esteve presente nos planos urbanísticos que previam a saída da tancagem da Petrobras daquela área, transferiando-a para o Pecém.

Detalhe: há informações dando conta de que um terço do terreno foi cedido à Petrobras pela Prefeitura de Fortaleza.

A Lubnor responde hoje por 11% da produção de asfaltos do Brasil, fabricando e distribuindo o material para os nove estados das regiões Norte e Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Pará, Amapá e Tocantins). Todo o petróleo utilizado pela refinaria é do tipo ultra pesado.

Veja a história da Asfor/Lubnor em imagens

Operários trabalham na construção da Asfor (mais tarde, Lubnor) que começou por decisão da Petrobras durante a ditadura militar.
Inauguração da Asfor em junho de 1966. Atentem para a imensa fila de convidados. À frente, o então presidente ddo Brasil, o cearense Humberto de Alencar Castelo Branco.
Em 1982, o Porto do Mucuripe inaugurou o pier exclusivo da Asfor para receber os navios petroleiros da Petrobras que traziam a matéria prima da fábrica que forneceu a maior parte do asfalto usado no Norte e Nordeste do Brasil.
Em 1998, a Asfor passou a se chamar Lubnor por causa da instalação da Unidade de Lubrificantes (ULUB).
Em junho de 2016, o então presidente da Petrobras, Pedro Parente, veio a Fortaleza participar da solenidade que comemorou os 50 anos da Lubnor.

Conheça mais da História da Lubnor*
A Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor) começou sua trajetória com a instalação da Fábrica de Asfalto de Fortaleza (Asfor), em 1966. O objetivo era produzir asfalto para atender à demanda do Nordeste, tendo em vista a dificuldade de transporte desse tipo de derivado de petróleo. A capacidade de refino da Unidade de Vácuo (UVAC), na época, era de aproximadamente 2,8 mil barris de petróleo pesado por dia.

Em 1982, foi inaugurado o Píer Petroleiro do Mucuripe e instalado o Terminal de Granéis Líquidos, onde passaram a atracar navios de grande porte da nossa frota, transportando derivados para abastecimento dos Estados do Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

No decorrer dos anos, a fábrica passou por ampliações da sua capacidade de processamento e instalação de novas unidades em sua planta. Em 1987, foi instalada a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN). Em 1998, a Unidade de Lubrificantes (ULUB), o que levou à mudança do nome de Asfor para Lubnor. Em 2009, houve a instalação do Núcleo Experimental de Fortaleza (NUEF), que desenvolve projetos na área de bioprodutos e biolubrificantes a partir de biomassa.

*Com informações retiradas so site da Petrobras.

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Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.