Juízes baianos soltam nota repudiando questão do concurso do TJCE

Em nota, o TJCE disse que não tem acesso prévio às questões do concurso, que lamenta o ocorrido e "que tratará do fato com a instituição organizadora, em reunião nesta sexta-feira (20/09), demonstrando a insatisfação pelo ocorrido e cobrando os devidos esclarecimentos".


Equipe Focus
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Uma questão da prova de Técnico Judiciário da Área Judiciária do concurso TJ CE (Tribunal de Justiça do Ceará) causou mal-estar com os magistrados baianos. Numa das questões da prova, a banca examinadora (da Fundação Getúlio Vargas – FGV) pediu ao candidato para identificar em qual das frases mostrava uma visão positiva da justiça. Em uma das alternativas, a letra D, a frase era: “Existem três tipos de justiça: a boa, a ruim e a baiana”. A Associação dos Magistrados da Bahia – AMB, em nota assinada pela presidente da entidade, Elbia Araújo, repúdio a redação da questão.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, 20, o TJCE disse que não tem acesso prévio às questões do concurso, que lamenta o ocorrido e “que tratará do fato com a instituição organizadora, em reunião nesta sexta-feira (20/09), demonstrando a insatisfação pelo ocorrido e cobrando os devidos esclarecimentos”.

Veja na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO DA AMB

A Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB) – entidade que congrega juízes e desembargadores baianos – vem a público repudiar o teor constante da prova de concurso público do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE), realizado no último domingo (15) pela Fundação Getúlio Vargas. Uma das questões mostra conteúdo preconceituoso e faz insinuação desconexa, ao realizar comparações de qualidade utilizando a Justiça baiana.

Com efeito, a AMAB hipoteca solidariedade plena a todos que compõem a Justiça da Bahia, incluindo servidores, magistrados e terceirizados. A referida citação se distancia do papel de uma conceituada instituição organizadora de certames, sobretudo de um Tribunal de Justiça, fazendo referência a um outro Estado coirmão de maneira jocosa.

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ BA) é o mais produtivo entre os de médio porte, e o terceiro com melhor Índice de Produtividade dos Magistrados (IPM) do país, segundo o relatório Justiça em Números 2019 (Ano-base 2018), recentemente divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com 2.111 processos baixados por cada juiz no ano, volume que salta para 2.354 no primeiro grau. Fica atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo.

Portanto, insinuações inverídicas, mesmo aquelas que tentam passar de forma despercebida por uma resposta falsa de concurso, são inaceitáveis e desprezíveis. A AMAB considera lastimável tamanha falta de respeito e repele, com veemência, o ocorrido.

Em nome dos seus integrantes, a AMAB reafirma seu posicionamento de relação harmoniosa e de colaboração recíproca com todos os segmentos da sociedade, público e privado, sem prejuízo da defesa das prerrogativas, dos direitos e dos deveres inerentes à magistratura.

 

Nota oficial do TJCE

O Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, por limitações legais, não tem acesso prévio às questões do concurso público, sob a responsabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), portanto não pode controlar o conteúdo das provas. No entanto, o TJCE discorda totalmente do conteúdo de uma questão do certame, lamenta o ocorrido, repudia todo e qualquer ato de discriminação e se solidariza com o povo baiano. Informa ainda que tratará do fato com a instituição organizadora, em reunião nesta sexta-feira (20/09), demonstrando a insatisfação pelo ocorrido e cobrando os devidos esclarecimentos.