Fundo eleitoral, fundo partidário e emendas individuais vão diminuir renovação na Câmara Federal

"Vão dançar os que não pertencerem aos grupos dos 'donos' de partido que só têm uma prioridade, que é a reeleição dos próprios Deputados Federais que formaram o fundo", analisa o prefeito Bismarck Maia.


Quem não tiver a boquinha dos fundos e articulação para arrancar dinheiro do Orçamento, terá vida difícil na disputa de 2022.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Em conversa com o Focus acerca do bilionário fundo público de financiamento das campanhas aprovado pelo Congresso nessa semana, o prefeito de Aracati, Bismarck Maia, foi ao ponto: “Com esse Fundo Eleitoral, a renovação na Câmara será mínima em 2022. Vão dançar os que não pertencerem aos grupos dos ‘donos’ de partido que só têm uma prioridade, que é a reeleição dos próprios Deputados Federais que formaram o fundo”. A lógica é simples assim.

É o atraso que perdura. A bobagem referendada pelo Supremo de proibir as doações privadas por considerá-las inconstitucionais fez com que o grosso do Congresso, que junta da esquerda à direita, passasse a trabalhar para abocanhar uma fatia bilionária de dinheiro público para financiar as campanhas eleitorais. Deu no que deu.

Escrevam: o índice de renovação vai ser baixíssimo. Vai se fortalezer uma casta política que tem grande influência nos partidos e na execução do Orçamento. Sim, senhor. Os deputados orçamenteiros estão nadando de braçada. Além do dinheiro do Fundo Eleitoral (R$ 4,9 bilhões) ainda contam com a grana das emendas indiciduais para irrigar suas bases eleitorais.

Tem mais: um outro fundo de cunho político, esse criado para bancar o negócio dos partidos, é hoje de R$ 1,1 bilhão, o que corresponde aos R$ 984 milhões de 2021 corrigidos pelo IPCA, mais um acréscimo de R$ 45,85 milhões.

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.