Fundamental para elevar o bolsonarismo ao poder, Lava-Jato é oficialmente extinta

Foram 79 fases deflagradas, 533 acusados e R$ 4,3 bilhões recuperados. De quebra, a operação solapou as bases tradicionais da nossa política e da institucionalidade.


Deltan Dallagnol e Sérgio Moro: as expressões em carne viva da Lava-Jato.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor

Quarta-feira, 03 de fevereiro de 2021: a Lava-Jato deixou oficialmente de existir. A Operação que foi fundamental para solapar as bases tradicionais da política brasileira, fazer terra arrasada da institucionalidade e eleger Jair Bolsonaro presidente da República foi extinta justamente sob os auspícios do bolsonarismo.

Não é uma simples ironia do destino.

Foram quase sete anos da operação que gerou as condições institucionais e políticas para “impitimar” Dilma Roussef (PT). Levou também à prisão de figurões de nossa política, como o ex-presidente Lula e o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Fez ainda com que um amontoado de magnatas do mundo empresarial fossem condenados e presos. A delação virou a norma para escapar.

Voraz, a Lava-Jato agiu de uma forma que praticamente eliminou do mercado gigantes nacionais da engenharia, como a Odebrecht. No centro das investigações, a Petrobras, a estatal que não quebrou por ter um monopólio mundialmente valioso. Mesmo as piores e mais desastradas estripulias não são capazes de levá-la à lona.

Nada mais, nada menos do que 79 fases deflagradas, 533 acusados e R$ 4,3 bilhões recuperados frutos da maior e mais polêmica operação contra a corrupção já posta em prática no planeta.

O Ministério Público Federal (MPF) informou que o grupo da operação em Curitiba (PR) foi desmobilizado. Uma portaria da Procuradoria-Geral da República (PGR) até que estendeu os trabalhos da operação até outubro deste ano, mas com nova estrutura e sem a nomenclatura que as diversas línguas do mundo traduziram ao seu modo: Car wash, Lave-Auto, Autowäsche, Autolavaggio, Avtomoyka, Lavado de chorro…

Sai a Lava-Jato entra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco. É o mesmo termo que designa os grupos especiais de combate ao crime organizado nos ministérios públicos estaduais.

“O legado da Força-Tarefa Lava-Jato é inegável e louvável considerando os avanços que tivemos em discutir temas tão importantes e caros à sociedade brasileira. Porém, ainda há muito trabalho que, nos sendo permitido, oportunizará que a luta de combate à corrupção seja efetivamente revertida em prol da sociedade, seja pela punição de criminosos, pelo retorno de dinheiro público desviado ou pelo compartilhamento de informações que permitem que outros órgãos colaborem nesse descortinamento dos esquemas ilícitos que assolam nosso país há tanto tempo”, disse Alessandro José de Oliveira, coordenador do núcleo do que sobra da Lava-Jato no Gaeco.

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.