Fortaleza é destaque na redução de mortes por DNTs e acidentes de trânsito

A capital cearense integra uma rede de cooperação internacional que combate o crescimento de mortes causadas por doenças não transmissíveis (DNTs) e ferimentos no trânsito


Fortaleza é destaque na redução de mortes por DNTs e acidentes de trânsito
Uma das estratégias da Prefeitura de Fortaleza é o estímulo ao uso da bicicleta como meio de transporte sustentável e saudável. | Foto: Prefeitura de Fortaleza

Equipe Focus
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Fortaleza está entre as 70 cidades de países em desenvolvimento que integram uma rede de cooperação internacional para combater o crescimento de mortes causadas por doenças não transmissíveis (DNTs) e ferimentos no trânsito.

As cidades que formam a rede se comprometem com uma das 14 intervenções que abordam os fatores de risco que causam DNT e lesões, como a implementação de leis contra o fumo que protegem os moradores do fumo passivo, restringindo a publicidade de bebidas açucaradas e fast food ou criando rotas seguras de ciclismo urbano.

Ao longo da primeira etapa, as cidades parceiras fizeram importantes avanços na construção de ambientes mais saudáveis e seguros. Agora, a iniciativa está na segunda fase e conta com financiamento da fundação norte-americana Bloomberg Philanthropies com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Vital Strategies.

“Este é mais um passo em direção a uma Fortaleza mais saudável e queremos avançar ainda mais para consolidar um desenho urbano que incentive a prática de atividades físicas combinada com a segurança viária e prevenir assim uma série de doenças e lesões causadas por acidentes de trânsito. Temos convicção de que essa rede de cidades, agora ainda maior, irá fortalecer o processo de transformação em uma escala global”, afirmou o prefeito Roberto Cláudio.

Dados da OMS mostram que as DNTs e lesões são responsáveis por oito em cada dez mortes em todo o mundo. O custo adicional por pessoa para implementar as principais políticas de DNT em cidades de baixa e média renda entre agora e 2030 é de cerca de R$ 5, enquanto os acidentes de trânsito já custam à maioria dos países 3% do seu produto interno bruto.

Entre as ações de Fortaleza, nos últimos 18 meses, a prefeitura recebeu apoio técnico durante a primeira etapa do Parceria por Cidades Saudáveis para o desenvolvimento de sistemas como o Bicicletar Corporativo, redesenho de interseções perigosas para ciclistas e estímulo ao uso da bicicleta como meio de transporte sustentável e saudável.

“Fortaleza está parabéns. O caminho para um mundo mais saudável percorre as cidades. Atualmente, a maior parte do mundo vive em áreas urbanas e as cidades podem implementar rapidamente políticas significativas”, disse a Dra. Kelly Henning, que lidera o programa de saúde pública da Bloomberg Philanthropies. “A Parceria para Cidades Saudáveis une prefeitos comprometidos com a ação. Com a expansão da Parceria para 70 cidades, coletivamente, estamos impedindo milhões de mortes desnecessárias de DNTs e feridos e protegendo a saúde das gerações vindouras”, completou.

No Brasil, 87% das mortes são causadas por doenças não transmissíveis. Em Fortaleza, segundo a Secretaria Municipal da Saúde, os AVCs, infartos e casos de diabetes figuram no segundo, quarto e sétimo lugares no ranking das principais causas de morte na Cidade.
Entre 2014 e 2018, o número de mortes no trânsito por 100 mil habitantes em Fortaleza caiu 40%, com quatro quedas consecutivas a cada ano. A queda do índice é fruto de melhorias na coleta e análise de dados, redesenho urbano, fiscalização e comunicação.

Contudo, 2018 registou 226 mortes em Fortaleza em acidentes de trânsito que poderiam ter sido evitados. Outras 11.150 ficaram feridas, parte com sequelas irreversíveis. A última edição do Relatório Anual de Segurança Viária de Fortaleza (2018) mostra também que uma pessoa morre a cada 65 colisões. Segundo a OMS, os acidentes de trânsito são a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo.