Filosofia e Liberdade

por Catarina Rochamonte
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PT cabuloso


Os petistas estão furiosos com a divulgação da conversa telefônica do tesoureiro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Alexsandro Pereira, o Elias, onde ele diz ao comparsa que o PT tem um diálogo “cabuloso” com o PCC . Objeto de reportagem no Jornal da Record e logo repercutida pelo jornal O Estado de São Paulo, a conversa que, além de indicar a relação cabulosa do PCC com o PT, traz xingamentos do criminoso contra o ministro Sergio Moro, ganhou as mídias e as redes sociais, de modo que todo mundo já deve ter conhecimento; para interesse deste meu artigo, quero fixar apenas o seguinte trecho: “O PT tinha diálogo com nóis cabuloso, mano”.

A interceptação da conversa de Elias foi feita pela Polícia Federal, com a devida autorização judicial, no curso da assim chamada Operação Cravada, que visa especialmente desmantelar o núcleo financeiro do PCC. O PT tem reagido muito mal à divulgação da conversa e soltou uma nota dizendo que se trata de “mais uma armação como tantas outras forjadas contra o PT”. Na sequência ataca Sergio Moro e defende Lula.

A relação do PCC com o PT e outros partidos não é foco imediato da Operação Cravada, mas no relatório da PF consta isto: “foram encontrados indicativos de vínculos da organização criminosa PCC com partidos políticos”. Se as investigações caminharem por esses indicativos e o diálogo cabuloso do PT com o PCC for comprovado, terá sido  um diálogo perigoso, imoral e criminoso.

Diálogos com criminosos nunca foram estranhos ao PT. Não esqueçam que a ex-presidente Dilma Rousseff, em uma de suas falas na ONU, criticou a iniciativa dos Estados Unidos de contratacar os terroristas do Estado Islâmico, recomendando ter com eles um diálogo. Já antes, o ex-presidente Lula mantivera íntimos diálogos com o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, tirano sobre seu povo e financiador do terrorismo internacional. Na África, o ex-presidente petista manteve diálogos onde a tônica era o financiamento não ortodoxos de ditaduras amigas e eventuais contrapartidas. Na América Latina, em consórcio com grandes empresas brasileiras, como a Odebrecht, o ex-presidente e chefe absoluto do PT, Lula da Silva, abriu diálogo corrupto para financiamento da campanha de Nicolás Maduro, ditador assassino da Venezuela e, ainda hoje, sempre que aumenta a pressão do povo sobre a tirania venezuelana, o PT lança nota sugerindo diálogo com o regime que os massacra e difamando o povo que é massacrado e se rebela.  

Tão perigosos foram os diálogos internacionais do PT que muitos deles estão sendo investigados, e alguns já resultaram em processos que têm o ex-presidente como réu. Quanto ao cabuloso, vejamos primeiro que é palavra de significado variado, com extensa sinonímia. Vem do substantivo “cábula”, que é aquele mau costume de gazear, faltar propositalmente às aulas; e é também astúcia, esperteza, manha, artimanha, logro, ardil… Já para o termo “cabuloso”, os dicionários registram, dentre outros, os significados de complicado, obscuro e enganador. Não há dúvida que o termo “cabuloso” aplica-se muito bem ao PT, como nos seguintes exemplos:

O PT fez a mais aguerrida campanha pelo impeachment do presidente Fernando Collor de Melo; porém, quando veio o processo de impeachment da presidente Dilma Roussef, onde foi observado o mesmíssimo rito constitucional do impeachment de Collor, os petistas responderam com o discurso cabuloso do “golpe”. A Operação Lava Jato levou à prisão de vários corruptos, políticos e não políticos, do PT e de outros partidos. Inclusive foi preso o ex-presidente da Câmara Federal, o peemedebista Eduardo Cunha, desafeto do PT, contra quem os petistas bradavam “Fora Cunha”. Da prisão de Cunha e outros não petistas, o PT não reclamou, mas quando se trata da prisão de seus próprios corruptos , o PT acusa a operação e se diz vítima de perseguição, chegando até a mais cabulosa das conversas fiadas que é aquela que afirma e jura a inocência de Lula, réu por corrupção em uma penca de processos, preso em decorrência de julgamento e condenação em primeira e segunda instância em um desses processos.

De ordinário, os partidos políticos são inclinados a conversas e atitudes cabulosas, mas o PT é insuperável nessa prática.