Filosofia e Liberdade

por Catarina Rochamonte
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Pavão Misterioso, Verdevaldo, faroeste cibernético e espiões russos


Como se os eventos e os personagens da política brasileira já não fossem surreais o bastante, eis que agora a temos pautada por um tal de Verdevaldo (apelido de Glenn Greenwald) e sua contrapartida, o Pavão Misterioso, perfil anônimo no Twitter que está mimetizando o método conta-gotas de divulgação de mensagens do site The Intercept Brasil, dessa vez contra a própria turma do Verdevaldo.

Os que agora provam do próprio veneno chiam e afirmam que as mensagens divulgadas pelo Pavão Misterioso são montagens, material editado, tudo fake. Chega a ser cômico o esperneio dos comparsas de Greenwald ao serem atingidos pelos mesmos instrumento e método que usaram contra o ministro Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato.

O primeiro a espernear foi o próprio Verdevaldo, indignado a mais não poder com as mensagens a ele atribuídas pelo pavão anônimo. O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, também “deu piti” e, ardendo de raiva, disse que vai pedir ao presidente da Câmara para acionar a Polícia Legislativa e que se esta não resolver irá “tomar as medidas judiciais cabíveiscontra o hacker misterioso, acrescentando que tudo não passa de “falsificação grosseira”. Sendo assim, convém também perguntar acerca de medidas judiciais cabíveis contra os detratores do ministro Sergio Moro e dos procuradores da Lava Jato.

O fato é que, em método, não há diferença substancial entre o site Intercept e o Pavão Misterioso. A diferença está na gravidade do precedente aberto por Glenn Greenwald que conforme explicação dada pelo professor de direito do Insper, Evandro Pontes, no Podcast “Direito e Espionagem”, do site Senso Incomum – desenvolve um “mercado de corretagem de informação ilícita.

Sendo o Estado o detentor da investigação e da pena, não se pode permitir que, a pretexto de investigação privada, haja a violação do direito de privacidade. O artifício de Greenwald, explica o professor, foi se prestar ao papel de intermediário de informações ilícitas aproveitando-se da brecha constitucional que assegura o sigilo da fonte. Deixando a espionagem em sigilo, Greenwald deu voz a um crime (interceptação telefônica ilegal), protegeu um criminoso (o hacker espião) e tentou soltar outro (Luiz Inácio Lula da Silva).

Verdevaldo não está para brincadeiras; o amigo de hackers russos reuniu-se nesta terça-feira, 09 de Julho, com nada menos que quarenta advogados a lhe assegurarem proteção. Tudo gente fina, uma tropa altamente gabaritada: advogados de corruptos presos e de corruptos soltos, e alguns lulistas de carteirinha; até a namorada do Chico Buarque compareceu.


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