Filosofia e Liberdade

por Catarina Rochamonte
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Parceria Folha de São Paulo – The Intercept: retrato da degradação do jornalismo


O quanto a trama comandada pelo site The Intercept tem conseguido beneficiar os grandes corruptos brasileiros é algo que ainda está em avaliação; o efeito, porém, de degradar o jornalismo praticado por alguns dos maiores veículos de comunicação do Brasil já é bem visível e escandaloso. Uma das últimas reportagens da parceria Folha de São Paulo – The Intercept, publicada no dia 8 de setembro, (trata-se de uma narrativa novelesca quase diária) usando material obtido criminosamente, é um exemplo acabado desse jornalismo fake e degradado.

O contexto da matéria é a tentativa de deslegitimar a decisão do então juiz Sergio Moro de, em 16 de março de 2016, tornar público o diálogo interceptado pela PF no qual a presidente Dilma Rousseff tratava com Lula de sua posse como ministro da Casa Civil a fim de beneficiá-lo com a transferência do julgamento do seu processo de Curitiba para o STF. A divulgação do áudio, lembremos, levou uma multidão de brasileiros justamente indignados imediatamente às ruas.

Na reportagem em questão, os mal intencionados redatores da Folha de São Paulo forçaram, como sempre, a mão contra Sergio Moro quando o que os supostos diálogos revelam é o comprometimento de Lula da Silva com a corrupção; inclusive a tentativa de um acordo com “seu irmão de fé” Michel Temer e com Eduardo Cunha para brecar investigações, blindar suspeitos (como Antonio Palloci), garantir impunidade à “classe política” e proteger a si mesmo.

Falando com Michel Temer sobre as grandes manifestações contra a corrupção e pelo impeachment da presidente Dilma, Lula se mostra bem aborrecido com o combate à corrupção e muito preocupado em salvaguardar a “classe política”. Vejam, exatamente como registrado na reportagem Folha-Intercept, como o suposto diálogo é comprometedor para Lula e não para Sergio Moro:

Ninguém ganhou com a manifestação de domingo’, disse Lula a Temer, segundo os registros da PF. “Quem ganhou foi o combate à corrupção expressado na figura do MORO. Diz que esse combate à corrupção foi sempre um alimento para golpistas no mundo inteiro’.

Quem ganhou foi a negação da política’, acrescentou o ex-presidente. ‘A classe política tem que se unir para recuperar o seu espaço’.”

Quem escreveu a reportagem não deu importância ao que se narrava nos diálogos criminosamente obtidos, mas se preocupou tão somente em criar uma narrativa conveniente, afirmando, sem nenhum pejo, que diálogos desse tipo “enfraquecem a tese usada pelo hoje ministro Sergio Moro para justificar a decisão mais controversa que ele tomou como juiz à frente da Lava Jato”. Esse foi o tom da narrativa seguida não apenas pela Folha, mas por toda a mídia e blogosfera ideologicamente vinculada aos corruptos e seus defensores.

Construir narrativas insidiosas é especialidade do PT e, de modo geral, da esquerda e da mídia comprometida com ela. A esquerda brasileira alimenta-se hoje da narrativa fantasiosa de que Luiz Inácio Lula da Silva é um preso político inocente. Nem mesmo quem conta essa história acredita nela; mas importa contar e mobilizar os ânimos dos incautos e imprudentes.

(O texto é de inteira responsabilidade da autora e não reflete , necessariamente, o ponto de vista da Focus.jor)