Filosofia e Liberdade

por Catarina Rochamonte

Interceptados: Moro e Lava-Jato sob ameaça


Alimentado por ação criminosa do The Intercept Brasil (site hospedado nos EUA), o esquema pró-corruptos do Brasil pretende destruir o ministro Sérgio Moro e a Operação Lava-Jato. A franja pró-corruptos no Brasil é bastante intensa e tem um lema com o qual vai às ruas, pauta a grande imprensa e invade a cena internacional: “Lula Livre!”. Com efeito, melhor lema não poderia ser levantado pelos defensores dos corruptos, sendo o ex-presidente Lula da Silva o mais notório corrupto brasileiro, réu em vários processos, já condenado e preso em um deles por corrupção e lavagem de dinheiro.

Um dos fundadores do site The Intercept, Glenn Greenwald, jornalista norte-americano que vive no Brasil e que está à frente da trama pró-corruptos, é uma estrela da esquerda com atuação no Brasil e no mundo, e o PT já avisou que vai levar o resultado do crime do site do seu aliado para fortalecer a campanha “Lula Livre” na ONU. Como é de especialidade da esquerda, eles já preparam uma “narrativa” internacional contra Sérgio Moro e a Lava-Jato.

Aqui no Brasil, a campanha pró-corruptos, arrimada em um crime escancarado, tem como fito imediato a destituição de Sérgio Moro do cargo de ministro da Justiça e, para isso, já conta com o empenho dos setores “progressistas” da grande imprensa e com o entusiasmo de algumas figuras carimbadas e poderosas, como o senador Renan Calheiros e alguns ministros do STF. Não por mera coincidência, o ministro Gilmar Mendes liberou mais um recurso da defesa de Lula pedindo sua soltura, a ser julgado pela Segunda Turma do Supremo.

A esquerda aproveita a cortina de fumaça para fazer o que mais sabe: chantagear e colocar o país em xeque. Irresponsáveis como costumam ser todos os políticos que estão imbuídos de uma ideologia nefasta, a deputada Jandira Fegali (PCdoB) anunciou que obstruirá a apresentação do relatório da reforma da Previdência caso Moro não se afaste do ministério da Justiça. Os partidos da oposição se articulam para bloquear todas as votações e o Psol se assanha dizendo que vai coletar assinaturas para criar uma CPI da Lava Jato. É quase uma rebelião de presídio tentando fazer os policiais de reféns.

Muito já se falou acerca do necessário respeito ao estado democrático de direito e não seremos nós a desmerecer as teses que o defendem. Não obstante, seria prudente compreendê-lo para além do legalismo que não deixa compreender que a força tarefa da LavaJato atuou em um contexto no qual o estado de direito já estava sob grave ameaça, não fazendo muito sentido falar em desrespeito a ele quando se faz referência ao modo de agir daqueles cuja ação expôs e estancou o maior esquema de corrupção de toda a nossa história.

A operação LavaJato repatriou bilhões de reais para os cofres públicos e prendeu políticos que faziam o que de pior se possa imaginar no sentido de ferir a democracia e fragilizar as instituições. A rigor, há alguma ilegalidade no fato de um juiz trocar mensagens com um procurador, mas o que os puristas que exigem uma conduta formalmente irrepreensível de Sérgio Moro não compreendem é que ou ele agia eticamente e driblava determinadas diretrizes ou ele agia conscienciosamente segundo a letra da constituição e falhava na missão de retirar o país da lama na qual estava imerso.

Não se combate o crime com as armas do crime, mas tampouco se combate um esquema criminoso dessas proporções com excessivo formalismo jurídico. A deputada Janaína Paschoal – que não pode sem má-fé ser colocada na conta de defensora acrítica de quem quer que seja – expôs bem, em texto divulgado nas suas redes sociais, o que há de esdrúxulo e contraditório nisso que ela adjetivou de dramalhão:

Hilário ler que o CNMP está discutindo em grupo de whatsapp o que fazer com os Procuradores que se falaram em grupo de whatsapp. Será que ninguém percebe o pitoresco da situação? […] Em um país em que parentes de Ministros advogam nos Tribunais Superiores; em que a nata da advocacia criminal faz jantar homenagem ao Presidente da Corte que julgará suas causas; em que o magistrado da causa oferece jantar de aniversário para a parte; em que um ex-Ministro de Estado se refere a um Ministro do STF como “nosso advogado” e ninguém se considera suspeito, DATA VENIA, parece piada querer fazer um carnaval por causa de três frases em um grupo de whatsapp.

O que, basicamente, os vazamentos criminosos do site The Intercept mostram é que o juiz Sérgio Moro, autoridade de primeira instância responsável pela operação Lava-Jato, estava atuando intensamente para combater a corrupção, ou seja, fazendo exatamente o que se espera de um juiz decente: enfrentando as poderosas forças da corrupção que mandavam e desmandavam no Brasil sem haver quem ousasse desafiá-las.

Todos sabemos que não se tratava ali de um crime qualquer, mas de um esquema bilionário de corrupção que afundaria ainda mais o Brasil caso não tivesse sido corajosamente interrompido pela força tarefa que hoje se vê sob ameaça de descrédito por mero formalismo ou cacoetes exegéticos de advogados (e ordem de advogados) cuja ideologia salta aos olhos e cujo sentimento de amor à pátria é nulo; do contrário não trabalhariam em prol do que se configurou como um crime de lesapátria.

A população brasileira tem uma dívida de gratidão com aqueles que enfrentaram (e ainda enfrentam) o maior esquema de corrupção da história e que lutam para soerguer o país do descalabro. Nós temos uma dívida de gratidão com  Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, cujas conversas foram hackeadas por criminosos.

Será que a ninguém espanta que estejamos diante de um esquema criminoso tão poderoso cuja rede é capaz de hackear o celular de um ministro da justiça e de um procurador da República? Seguiremos fazendo tempestade pelo fato de o juiz ter conversado com o procurador sem atinarmos para a gravidade de terem sido interceptados justamente aqueles que trabalham incessantemente para interceptar o descomunal esquema de corrupção?