Filosofia e Liberdade

por Catarina Rochamonte
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Greve da PM no Ceará: Cid e a retroescavadeira


O número de assassinatos no Ceará, que já era alto, explodiu, ultrapassando a centena de homicídios desde o início do motim da PM. A situação é gravíssima e a questão é complexa, exigindo serenidade e prudência. Bem ou mal, as partes tentavam negociar, quando o senador licenciado Cid Gomes resolveu, literalmente, tratorar a negociação, avançando sobre um grupo com uma retroescavadeira; isto lá em Sobral, domínio dos Ferreira Gomes há muitas gerações. A greve de PMs é ilegal, mas isso não dá a ninguém o direito de atentar contra suas vidas.

Diante do ocorrido, a União Nacional dos Juízes Federais do Brasil (Unajuf) pediu à Procuradoria Geral da República que denunciasse o senador Cid Gomes por tentativa de homicídio qualificado. Os policiais que atiraram no senador devem também ser denunciados? Devem sim; e devem alegar legítima defesa própria e de terceiros. Com efeito, quando o senador foi contido, de forma abrupta e violenta, várias pessoas estavam na iminência de serem atropelados por um trator tipo retroescavadeira de muitas toneladas.

A despeito disso, a condenação ao ato tresloucado do senador está longe de ser unânime. Pelo contrário, a esquerda tem enaltecido Cid Gomes e a grande imprensa tem, em geral, relativizado a hediondez do seu ato, carregando nas tintas contra os policiais. Parlamentares, governadores e ministros do STF têm aconselhado máximo rigor contra os PMs, ao mesmo tempo em que não dizem uma palavra contra quem tentou matá-los. 

O radicalismo expresso na atitude atropeladora de Cid Gomes foi ecoado e maximizado pelo seu irmão Ciro Gomes, o presidenciável do PDT que pretende substituir Lula da Silva na liderança da esquerda brasileira. Ciro disse que se estivesse na confusão de Sobral as conseqüências seriam maiores e atribuiu a culpa dos disparos contra Cid ao presidente Bolsonaro, chamando-o de canalha: “[…] porque se algum policial atirou, apertou o gatilho, ele não faria isso se não fosse esse clima de absoluto desrespeito às regras da convivência democrática, que é absolutamente claramente estimulada pelo presidente da República e sua família de canalhas, e ele, Jair Bolsonaro, o maior canalha de todos.

Destemperos e atitudes violentas por parte dos Ferreira Gomes são recorrentes, nenhuma novidade. O que importa mais no momento é conter a desordem e a violência. O governador Camilo Santana está desesperado para demonstrar que tem firmeza e condições de controlar a situação e, em entrevista neste sábado de carnaval, recusou-se peremptoriamente a conceder anistia aos policiais rebelados:Todos estão sendo identificados e serão punidos com o rigor da lei. Estamos firmes. Não podemos ceder. Vamos dialogar com quem? Com bandido não dá.”

Sobre o seu aliado, Cid Gomes, ser punido com o rigor da lei, Camilo não disse nada. A demonstração de firmeza bem que poderia começar por aí.

Nota da Redação: o artigo não reflete o pensamento do Focus. No caso envolvendo Cid Gomes, Focus considera imperioso ressaltar que o fato antecedente (o motim) é muito mais grave, sendo o gerador das indesejáveis consequências, incluindo os homicídios em massa.

Greve de policiais é proibido pela Constituição. É crime. É motim que põe em jogo  a existência do próprio Estado. Repetimos: homens armados amotinados e usando viaturas e estruturas públicas para fechar o comércio e instalar o terror nas cidades estão gerando as consequências mais indesejáveis.

Focus mantém uma firme posição contra a concessão de anistia ou similares aos amotinados. Portanto, considera que o governador age com a devida correção.