Filosofia e Liberdade

por Catarina Rochamonte
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A esquerda diante do terror do fundamentalismo islâmico. Covardia ou cumplicidade?


Em seguidos ataques do terror fundamentalista islâmico contra alvos do Ocidente, a esquerda internacional e brasileira reagiu, em geral, com disfarçada simpatia para com os agressores. No Brasil, jornalistas, políticos e demais intelectuais orgânicos progressistas fizeram pronunciamentos e escreveram longos artigos que, de ordinário, começam por uma condenação formal do atentado, imediatamente seguida por “mas” ou outra expressão alternativa qualquer, a partir da qual se passa a atacar o Ocidente por ser capitalista, egoísta, consumista e malvado; ipso facto, dá-se a entender que seria principalmente do Ocidente a culpa por ter sido atacado.

Agora, com o ataque de uma potência ocidental a um alvo terrorista, no caso a eliminação do general iraniano Qassem Soleimani pelos Estados Unidos, a reação da esquerda dispensou a conjunção alternativa e qualquer outra possível relativização, acusando do começo ao fim a ação norte-americana como sendo um crime injustificável. O general Soleimani, porém, notabilizou-se como o principal estrategista e comandante das ações militares internacionais do regime fundamentalista do Irã; tanto aquelas de caráter abertamente militar quanto aquelas de ação secreta terrorista.Um dos atos terroristas coordenados por Soleimani foi o ataque à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 18 de julho de 1994, com resultado de 85 mortos e 300 feridos. É esse um dos motivos pelos quais o Estado de Israel apoiou o ataque: Da mesma forma que Israel tem o direito de autodefesa, os EUA têm exatamente o mesmo direito”, disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Autoridades dos Estados Unidos, a começar pelo presidente Trump, afirmam que o general iraniano estava articulando atentados terroristas que em breve alcançariam alvos norte-americanos. Certamente a esquerda não dará crédito a essas autoridades, mas dará crédito a tudo que as autoridades iranianas declararem. A reação antiamericana histérica da esquerda mais radical era de se esperar, mas que o pedetista Ciro Gomes tenha sido dos primeiros a verberar contra o governo norte-americano, surpreende um pouco. Pelas suas redes sociais, Ciro mandou ver: “O Brasil deve pedir à comunidade internacional uma condenação deste ato impensado de violência de Estado”.

O ato norte-americano de eliminação do general Soleimani pode ter sido tudo, menos impensado. Desde pelo menos o governo de Barack Obama que tal ato tem sido pensado, não tendo sido executado por cautela. De todo modo, felizmente, o governo brasileiro não seguiu a orientação de Ciro; pelo contrário, em nota, o Itamaraty afirmou que “o governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo”; nota essa que foi, por sua vez, repudiada pelo PT – eterno apoiador de tudo o que não presta ao redor do mundo. O Partido dos Trabalhadores condenou veementemente a ação norteamericana, afirmando ser “lamentável que o governo brasileiro tenha manifestado apoio a tal ação sob o argumento de combater o terrorismo.”

Embora pensado, o ato ordenado pelo presidente Donald Trump foi de alto risco. Mas correr risco faz parte da ação política. A retaliação, a vingança prometida pelo Irã também será de alto risco. Mas a esquerda não quer correr risco nenhum. Ela sabe que pode falar o que quiser contra os países democráticos, pois estarão constitucionalmente protegidos, enquanto nos regimes fundamentalistas islâmicos nem é preciso falar muito para ser morto: as mulheres são escravizadas e podem ser apedrejadas até a morte por práticas consideradas criminosas, como o adultério; e o homossexualismo, vejam só, é punido severamente, em geral com enforcamento. Sobre estes hediondos atrasos os esquerdistas arautos dos direitos humanos, calam-se solenemente.

Face ao governo, religião e costumes dos seus respectivos países no Ocidente democrático, os esquerdistas são de uma audácia ilimitada (vide o Porta dos Fundos). Diante do fundamentalismo islâmico são contidos pela covardia. Ou será pela cumplicidade?