Ex-ministro da Justiça da China é condenado à prisão perpétua

Nascido na província de Hebei, em 1955, Fu completou seus estudos de pós-graduação na Universidade de Pequim e, em 1973, ingressou no Partido Comunista da China


Ex-ministro da Justiça da China é condenado à prisão perpétua. Foto: Reprodução/WeChat Corte de Jilin

Equipe Focus
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O ex-ministro da Justiça da China, Fu Zhenghua, que liderou várias investigações sobre corrupção no país enquanto esteve no cargo, foi condenado à prisão perpétua por aceitar subornos, disse a mídia estatal nesta quinta-feira, 22, enquanto um expurgo de autoridades se intensificava antes de um importante congresso do Partido Comunista.

Fu, de 67 anos, recebeu uma “sentença de morte suspensa”, que na legislação da China indica que a pena será comutada para prisão perpétua após dois anos, sem possibilidade de liberdade condicional.

Ele é acusado por aceitar suborno e por abuso de poder. De acordo com a mídia oficial, o ex-ministro chinês aproveitou a autoridade para aceitar ilicitamente dinheiro e presentes no valor de 117 milhões de yuans (equivalente a 16,5 milhões de dólares).

Em outubro de 2021, a Comissão Nacional de Supervisão da China, principal órgão anticorrupção do Estado chinês, juntamente com a Comissão Central de Inspeção e Disciplina, o braço anticorrupção do Partido Comunista da China (PCC), começou a investigar Fu Zhenghua por “graves violações de disciplina e leis nacionais”.

Nascido na província de Hebei, em 1955, Fu completou seus estudos de pós-graduação na Universidade de Pequim e, em 1973, ingressou no Partido Comunista da China.

Antes da sua nomeação como Ministro da Justiça em 2018, ele liderou muitas investigações anticorrupção, entre elas uma há cerca de dez anos sobre Zhou Yongkang, um ex-czar da segurança e o oficial mais poderoso da China antes da ascensão de Xi Jinping

Em julho, Fu admitiu aceitar subornos superiores a 117 milhões de yuans (US$ 16,50 milhões). O ex-ministro da Justiça foi expulso do Partido Comunista da China e ficou impedido de exercer qualquer cargo público. A investigação durou até março de 2022 e concluiu que Fu “nunca foi verdadeiramente leal ao partido e ao povo”, tinha ambições políticas “extremamente infladas”, possuía armas de fogo de forma ilegal, levava um estilo de vida “extravagante e hedonista”, e se engajava em “atividades supersticiosas”, entre outras acusações.

Sun também foi acusado de não aceitar a autoridade do presidente Xi Jinping. A influência de Sun, que ainda não recebeu sua sentença, era tão difundida dentro do partido que foi descrita pelas autoridades como “venenosa”, e ele foi descrito como “um câncer que precisava ser eliminado”.

Expurgo promovido pelo Partido Comunista da China

A condenação de Fu Zhenghua se soma a uma série de altos funcionários que foram punidos por corrupção em uma longa repressão lançada depois que o presidente Xi Jinping assumiu o poder no final de 2012. Outros membros do aparato de segurança chinês também foram processados por corrupção: os ex-chefes de polícia das cidades de Chongqing (centro) e Xangai (leste), acusados de receber propina. Por sua vez, o ex-vice-ministro chinês de Segurança Pública, Sun Lijun, também foi acusado, em janeiro passado, de aceitar presentes.

Depois de chegar ao poder em 2012, o atual secretário-geral do PCC e presidente da China, Xi Jinping, iniciou uma campanha anticorrupção na qual altos funcionários chineses foram condenados por aceitar subornos milionários.

Embora a campanha tenha descoberto casos importantes de corrupção dentro do partido, alguns críticos apontaram que ela também poderia ser usada para encerrar as carreiras políticas de alguns de seus rivais. Em 16 de outubro, o 20º Congresso do Partido Comunista começará em Pequim, no qual Xi poderá iniciar um terceiro mandato sem precedentes entre seus antecessores nas últimas décadas. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

Agência Estado