Equipe Sarto: a boa mistura entre a técnica e a política, mas há incômodos

No essencial, as escolhas técnicas contemplam as necessidades políticas. As escolhas políticas contemplam as necessidades técnicas. “É uma equipe jovem e, ao mesmo tempo, robusta de experiência na gestão pública”, diz RC.


Sarto e RC. Foto: Divulgação


Por Fábio Campos

fabiocampos@focus.jor.br

Político com mais de 30 anos de mandatos parlamentares, José Sarto (PDT) surpreendeu com um secretariado cujas características têm o perfeito equilíbrio da mistura técnica e política. Trocando em miúdos, no essencial, as escolhas técnicas contemplam as necessidades políticas. As escolhas políticas contemplam as necessidades técnicas.

Focus apurou que o grupo político do prefeito Roberto Cláudio ficou plenamente satisfeito com a resultante. Estão lá, em funções preponderantes, os membros do núcleo duro de RC. A saber: Samuel Dias cuidando das obras e Marcelo Pinheiro cuidando do Orçamento e Gestão.

Há ainda dois casos peculiares ao gosto pessoal tanto de RC quanto de JS: Renato Lima na sempre importante Secretaria de Governo e Ferruccio Feitosa na Conservação e Serviços Públicos, pasta com a cara do dia a dia da cidade. Lima é historicamente ligado a Sarto, mas se aproximou muito de RC como secretário das Regionais.

Já Ferruccio Feitosa é um caso à parte: do ponto de vista pessoal, contempla Cid Gomes, RC e o próprio Sarto. Afinal, foi secretario dos dois primeiros e virou braço direito de Sarto durante a campanha. Não foi à toa o “meu querido” usado por Sarto na hora da apresentação do nome de Ferruccio.

Observem que todos os nomes citados acima são também marcadamente técnicos e aliam componentes políticos que fortalecem suas posições e a própria futura gestão que começa em 1º de janeiro.

Focus conversou com Roberto Cláudio logo após o anúncio oficial do secretariado. O prefeito mostrou-se entusiasmado com as características da equipe escolhida por JS. “É uma equipe de alta qualidade. Uma equipe jovem e, ao mesmo tempo, robusta de experiência na gestão pública”.

Outro caso que merece atenção é o seguinte: a elevação do administrador Rodrigo Nogueira da coordenação das PPPs, pasta de segundo escalão (embora importante), para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a SDE. A pasta é fundamental para uma cidade que se preze e foi reduzida a uma solução meramente política até aqui. Com Nogueira, há o claro sinal de que a SDE vai ganhar a robustez que lhe cabe. Detalhe: Nogueira é cota do PP, mas sua trajetória e formação é técnica.

Meramente técnicas são as composições das secretarias de Saúde, Finanças, Educação e Seuma. São quatro mulheres em cargos muito importantes. Portanto, mantendo a linha de RC que também manteve mulheres em cargos de relevância em seus dois mandatos. Veja a lista abaixo.

Do ponto de vista político, alguns pontos chamam a atenção. Primeiro, a indicação de Cláudio Pinho para os Direitos Humanos e Desenvolvimento Social. Pinho é o atual prefeito de São Gonçalo do Amarante, mas não conseguiu fazer o sucessor. Portanto, é uma nomeação marcadamente política para contemplar um aliado importante.

A nomeação de Ozires Pontes para a Secretaria de Esportes carrega características também políticas. É um nome que reforça o componente jovem da gestão. É filho do presidente estadual do PSDB, Luiz Pontes. Portanto, trata-se de uma cota partidária.

O mercado político se agitou com a nomeação do futuro vice-prefeito, Élcio Batista, para o Iplanfor. A pasta tem pouca dimensão pública, mas tem a cara do currículo do sociólogo que até um dia desses comandou a poderosa Secretaria da Casa Civil de Camilo Santana. O Iplanfor é uma autarquia que, entre outras coisas, monitora e avalia políticas públicas.

Outro detalhe político que chamou a atenção: não há nomes do PSD no primeiro escalão. Ou seja, o partido de Domingos Filho foi, até aqui, preterido. Sinal de que há incômodos com a desenvoltura política de DF no Interior, muito embora sua derrota em Caucaia tenha sido dolorida.

É evidente que todos os outros cargos não citados são importantes e têm suas razões de ser. Aos poucos, Focus vai explicitando as motivações. Ainda falta sair o nomes que vão comandar as secretarias regionais. Estas saem de cinco para 12. Aguardem aí componentes muito mais políticos do que técnicos para essas vagas.

Confira a lista dos novos secretários
Elpídio Moreira – Secretário Chefe do Gabinete do Prefeito
Renato Lima – Secretário Municipal de Governo
Cristina Machado – Chefe da Controladoria e Ouvidoria Geral do Município
Fernando Oliveira – Procurador Geral do Município
Flávia Teixeira – Secretária Municipal de Finanças (Sefin)
Marcelo Pinheiro – Secretário Municipal do Planejamento, Orçamento e Gestão (Sepog)
Coronel Eduardo Holanda – Secretário Municipal da Segurança Cidadã (Sesec)
Dalila Saldanha – Secretária Municipal da Educação (SME)
Ana Estela – Secretária Municipal da Saúde (SMS)
Samuel Dias – Secretário Municipal da Infraestrutura (Seinf)
Ferruccio Feitosa – Secretário Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP)
Alexandre Pereira – Secretaria de Turismo (Setfor)
Elpídio Nogueira – Secretaria de Municipal de Cultura (Secultfor)
João Pupo – Secretaria Municipal da Gestão Regional (Seger)
Élcio Batista – Superintendência do Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor)
Adail Fontenele – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Habitacional (Habitafor)
Rodrigo Nogueira – Secretário Municipal do Desenvolvimento Econômico (SDE)
Luciana Lobo – Secretária Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma)
Ozires Pontes – Secretário Municipal de Esporte e Lazer (Secel)
Cláudio Pinho – Secretário Municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS)