Embate entre Juiz e advogada provoca guerra de notas entre OAB-CE e ACM

A gravação de uma audiência com uma discussão entre uma advogada, servidores e o Juiz da 2ª Vara da Famíllia de Fortaleza gerou disputa entre as entidades


Por Edvaldo Araújo
edvaldo@focus.jor.br

A disputa pela guarda de uma criança de 4 anos, que acabou falecendo durante o andamento do processo, e o choque verbal entre a advogada Sabrina Veras e o magistrado Joaquim Solón Mota Junior, da 2ª Vara de Família da Comarca de Fortaleza, provoca uma guerra de notas públicas e acirra o embate entre a Ordem dos Advogados do Brasil – Ceará e a Associação Cearense dos Magistrados.

A advogada Sabrina Veras atua em defesa de uma das partes do processo que corre em segredo de justiça na 2ª Vara de Família de Fortaleza, envolvendo a posse por duas crianças. De acordo com o relato feito através de um áudio transcrito na página da OAB-CE, uma das crianças morreu no decorrer do processo. A advogada atribui o fato a lentidão do judiciário no andamento do processo, já que havia procurado o magistrado diversas vezes, mas sempre era informada que não poderia tratar do assunto pois o juiz estaria “ocupado”.

Servidores presentes à audiência, segundo pode-se ouvir no áudio, afirmam que a advogada estaria falando publicamente, culpando-os pela morte da criança

No áudio, o magistrado aparece falando que a advogada estaria cometendo um crime e que “ficaria devendo as servidoras” o fato de não levar o caso à polícia e que da próxima vez levaria ele mesmo o caso à OAB-CE.

O embate chegou às associações representativas, que publicaram notas.

A OAB-CE considerou o fato “uma afronta às prerrogativas advocatícias e falta de zelo do magistrado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, já que, como pôde ser conferido em áudio gravado pela advogada, a postura do juiz foi, de fato, vergonhosa”. (Veja íntegra da Nota da OAB-CE)

Por sua vez, a ACM repudiou a atitude da OAB-CE e afirmou que a Ordem estaria realizando “uma campanha acusatória e difamatória contra o mencionado magistrado”. (Veja íntegra de Nota da ACM)