Em tom de desabafo, reitor da UFC defende retorno das aulas presenciais: “já passou da hora”

"A distância entre a escola pública e a escola privada está se agigantando", declarou Cândido Albuquerque


Reitor da UFC, Cândido Albuquerque. Foto: Divulgação

Equipe Focus
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O reitor da UFC, Cândido Albuquerque, em tom de desabafo, publicou em seu Facebook uma defesa ao retorno das aulas presenciais, especialmente para o ensino médio.

“A busca de consenso não pode perder o viés da responsabilidade com o futuro das nossas crianças vulneráveis. A distância entre a escola pública e a escola privada está se agigantando”, disse.

Na sequência, falou que se não por respeito, que seja “por compaixão” o retorno.

“A desigualdade social pela ausência da escola já é uma realidade. Na verdade, já não faz mais sentido a suspensão de nenhuma série de ensino médio! Chega! Os países do primeiro mundo já voltaram! Se não por respeito, que seja por compaixão, mas vamos devolver o futuro das nossas crianças economicamente vulneráveis! Não tenho visto ninguém defender de forma destemida o direito dos alunos das escolas públicas”, destacou.

“Não adotar medidas que assegurem o retorno às aulas presenciais, agora, é crime! Não temos o direito de fazer esse absurdo com as nossas crianças! Agora já não estou preocupado com as críticas! Podem me chamar do que quiserem, mas decidi dar voz aos jovens “sem escola”!”, criticou.

Ainda questionou o fato de os professores serem vacinados e não haver o retorno das aulas. “Nos países que levam a educação a sério, as aulas presenciais voltaram antes da vacina. Por isso são de primeiro mundo. Aqui, nem com vacina. Senhores, nossas crianças estão há mais de um ano sem aulas presenciais. Os ricos, bem ou mal, estudam de forma remota. Os pobres, filhos de pobres, morando em pequenas casas, quase amontoados, não podem sonhar com o mundo virtual, ainda que ganhem equipamentos. Continuarão cada vez mais distantes das oportunidades da vida. Estão sendo mortos pelo analfabetismo. Chega! Analfabetismo mata!”, finalizou.