Debate com oito? Confesso o meu enfado

Não é racional. Não há debate entre oito. Não há oito posições a serem debatidas. Não há oito tons.


Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Muitas mensagens recebidas acerca do debate, o primeiro da disputa presidencial, que começou na noite de quinta-feira e entrou pela madrugada. WhatsApp fervilhando durante e depois. Confesso meu enfado. Debate com oito? Era a minha questão usual diante de perguntas dos amigos acerca dos desempenhos. Não é racional. Não há debate entre oito. Não há oito posições a serem debatidas. Não há oito tons.

Dessa forma, o debate passa a ser um teste de paciência para os candidatos com melhor formação. Testa-se a capacidade de resumir em um minuto e meio respostas a perguntas acerca de temas de grande complexidade. Óbvio que as platitudes dominam. No primeiro turno, os debates costumam ser programas para convictos. A maioria dos que se dedicam a assisti-los é devota de um dos concorrentes. Não mudam o rumo dos acontecimentos, a não ser que ocorra um grande escorregão de um ou outro. Situação improvável.

Outro tanto da audiência mais se diverte do que leva a sério. Ficam na expectativa de situações constrangedoras e de confrontos grosseiros. Ninguém assiste a um debate de oito candidatos, que vara a noite e entra pela madrugada, na expectativa de convencimentos definitivos. É verdade que há uma grande porção do eleitorado ainda sem rumo definido. Nesse ponto, os debates servem, ao longo da campanha, como um dos alicerces para angariar simpatias e construir definições.

A louvar o formato definido pela Band. Usou o limite das possibilidades para gerar confrontos diretos. A TV cumpre seu papel, mas a legislação eleitoral, que não concede à emissora o poder de convidar para o debate quem bem entende e importa, é mais um efeito da imensa mania nacional de legislar sobre tudo. Cabo Daciolo e Boulos é demais.