Eleições 2020, por Maurício Garcia


Maurício Garcia é sociólogo graduado pela FFLCH-USP, tem pós-graduação pela Fundação Escola de Sociologia de São Paulo (onde já lecionou) e pela ECA-USP (em marketing). Trabalhou mais de 20 anos no IBOPE, maior instituto de pesquisa da América Latina e como pesquisador é associado à Wapor (World Association for Public Opinion), tendo participado de diversos congressos da entidade pelo mundo. Também como pesquisador, foi vencedor do Prêmio Alfredo Carmo, oferecido pela ABEP (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa), como melhor trabalho no 7º congresso da entidade com o estudo “A eleição para deputados em 2014 – Uma nova Câmara, um novo país”. Garcia é o mais novo articulista Focus.

Outubro chegou e com ele se eleva a expectativa do mundo político com relação às próximas eleições, já que no próximo dia 4 de outubro serão realizadas em todos os municípios do Brasil mais uma rodada de eleições, mais uma “festa da democracia”, como a mídia gosta de chamar.

E aí, quais serão as novas surpresas das próximas eleições? A “nova política” vai ampliar sua força? O grupo político ligado ao Presidente Jair Bolsonaro tem chance de surpreender novamente? Como? Algum dos partidos mais tradicionais, como MDB, DEM e PSDB terão um desempenho melhor que em 2018? E a esquerda? E o PT? Por enquanto, muitas perguntas.

É claro que ao final das eleições de 2020, as análises da mídia e dos cientistas políticos serão, em sua maioria, com base nos resultados gerais, agregados, nacionais. Mas antes disso, nesse período prévio, nesse final de 2019 e durante 9 meses de 2020, o que vai valer é a história política de cada município. Cada cidade é um microcosmo independente, e em 2020 teremos a eleição mais pulverizada nesse sentido.

Cada município tem suas peculiaridades políticas. Político A e político B, ano passado, podem ter apoiado um mesmo candidato ao governo e à presidência, ambos podem ser secretários do mesmo governo, mas quando se fala da base eleitoral municipal de ambos, estão em campos opostos, são rivais.

De agora em diante também, e cada vez mais, nos depararemos na mídia tradicional (mas também nas redes sociais e no maior companheiro do ser humano nos últimos tempos: o WhatsApp.) com pesquisas de todos os tipos e gostos. E os números, como muitos já sabem, se bem torturados, revelam segredos que agradam (e também desagradam) todos. Nesse momento, dependendo da leitura feita, pode-se se concluir qualquer coisa para qualquer grupo político, dependendo do interesse de cada um. Por isso, muito cuidado!

É preciso uma análise isenta, profunda e séria dos números. Além disso, é preciso ter em mente que o que se mede nesse momento não é só a intenção de voto “numérica”, a corrida de cavalos que mostra quem está na dianteira. Quem do mundo político, mesmo do Rio, em outubro de 2017 poderia afirmar que Wilson Witzel seria eleito governador um ano antes? E em Minas, quem apostaria em Romeu Zema?

Porém, ambos, um ano antes da eleição, já faziam suas pesquisas para medir seu nível de conhecimento (e ambos viram que era próximo de zero naquele momento), mas mais que isso, queriam entender a viabilidade de uma candidatura de alguém com o seu perfil naquele cenário político. E mais, se o seu discurso e posicionamento se enquadraria no que seria colocado pela sociedade como tema da campanha em outubro, como narrativa da campanha. Esse deve ser o foco das candidaturas nesse momento: a adequação da narrativa. O número da corrida de cavalos importa, mas pouco por enquanto. Quem não se lembra de um candidato que começou como favorito, disparado na liderança e amargou um quarto ou quinto lugar numa eleição que parecia fácil?

Por isso, reitero: pesquisas políticas são importantíssimas sempre, mas precisam (principalmente nesse momento do processo eleitoral) ser feitas com objetivos corretos e estratégicos, e mais: precisam ser analisadas com muito cuidado e conhecimento do cenário político de cada cidade para o entendimento do cenário e a construção de uma candidatura vitoriosa.