EDP estuda produção de hidrogênio verde no Ceará

Por outro lado, a empresa avalia um modelo de aproveitamento para a UTE Pecém, termelétrica que gera energia por meio da queima do carvão


Usina de hidrogênio verde. Foto: Divulgação

Átila Varela
atila@focus.jor.br

A portuguesa EDP, que tem operações no Ceará, estuda o modelo de produção de hidrogênio verde no Estado. Este serviria como alternativa ao carvão adotado hoje na usina termelétrica UTE Pecém localizada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp).  O contrato de venda de energia da unidade vence em 2027.

Pesa contra a matriz do carvão o próprio plano de descarbonização da EDP. Em março, detalhou que irá investir R$ 10 bilhões até 2025 em um portfólio 100% de geração renovável.

“A companhia em parceria com o Governo do Estado tem procurado soluções técnicas para reduzir o efeito da carbonização e estender a vida útil da UTE Pecém”, destacou a empresa em nota ao Focus.

Mesmo o contrato de energia vencendo em 2027, a EDP não vai se desfazer da unidade, visto que a concessão segue até 2043.

“A empresa pretende continuar a servir o Estado, após a conclusão de seu PPA válido até 2027. Uma das alternativas será a produção de hidrogênio verde, elemento essencial para o cumprimento das metas de redução de outras empresas que utilizam a matéria prima oriunda do carbono. Dessa forma o hidrogênio produzido na região de Pecém pode mitigar os efeitos climáticos globais, reduzindo as emissões de outros processos como indústrias siderúrgicas ou químicas”, pontua a EDP.

Enquanto se estuda um modelo para o futuro, a EDP mantém os pés no presente. A UTE Pecém entra no rol de usinas ligadas para combater uma eventual crise de abastecimento de energia.

“Diante do baixo nível de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas, compreende-se a importância das energias alternativas como o uso das termelétricas para conter uma possível crise hidrológica no país. Nesse sentido, a EDP reforça a importância da UTE Pecém, como um ativo altamente eficiente, que gera o equivalente a 45% da energia consumida no Ceará, e que irá continuar funcionando por seu papel essencial para o sistema elétrico do Nordeste”, detalha a empresa.

Exploração do hidrogênio verde

No mês de fevereiro, a EDP lançou duas unidades que vão explorar não somente o potencial do hidrogênio verde, mas também os sistemas de armazenamento de energia.

A primeira, a H2 Business Unit (H2BU), é o braço de desenvolvimento da fonte renovável. Já a EDPR NA responderá pelo armazenamento. O projeto da EDP é ambicioso: atingir uma capacidade de 1 GW em armazenamento até 2025.

A H2BU focará em oportunidades para setores como química, aço, refinarias, cimentos e transportes pesados de longo curso.

Inicialmente, os mercados prioritários são os EUA e os Estados Unidos.