Editoral: a vencedora (e incômoda para muitos) aposta do Focus na pesquisa Atlas

A última pesquisa Atlas/Focus sugeriu que tudo poderia se resolver no 1º turno. Focus ousou em fazer essa leitura em manchete na véspera da eleição. Era uma questão de saber ler os números e suas entrelinhas


Editorial Focus
Por Por Fábio Campos

fabiocampos@focus.jor.br

Contratar a pesquisa AtlasIntel foi a mais difícil, ousada e, afirmo, corajosa decisão do Focus nos cinco anos de existência deste site de notícias.

Sim o aniversário Focus foi em 02 de outubro, dia da eleição neste 2022. Além da passagem por mais uma grande e histórica etapa da nossa democracia, não poderia haver presente melhor: a pesquisa Atlas/Focus antecipou na véspera que havia grande chance de tudo se resolver no primeiro turno.

Enfim, a projeção da manchete, com base na pesquisa Atlas, se concretizou. Veja-a aqui.

Uma semana antes, a pesquisa Atlas divulgada com exclusividade pelo Focus já apontava uma tendência insofismável: Elmano de Freitas em linha ascendente, Capitão Wagner descendente e Roberto Cláudio empacado e com indicativos de que poderia sofrer uma transfusão de votos.

Bingo! Não deu outra. No calor e intensidade tensionada de uma campanha eleitoral com múltiplos e poderosos interesses, só quem sabe ler as entrelinhas de uma boa pesquisa é capaz de cravar esse raciocínio publicamente.

Na pesquisa AtlasIntel/Focus da véspera da eleição, com entrevistas finalizadas em 30 de setembro e números divulgados no dia 1º, a tendência verificada uma semana antes se mostrou ainda mais evidente. Os números finais da apuração confirmaram, sabemos bem.

Enfim, a pesquisa Atlas/Focus realizada na ante-véspera das eleição foi a que projetou o resultado mais aproximado quando comparados à configuração final da totalização dos votos.

Somos experientes o suficiente para saber que quando a dinâmica de uma tendência está em pleno andamento, a coisa toda se afunila e concretiza-se exatamente nas horas finais anteriores aquele momento no qual o eleitor, solitariamente, contempla o silêncio da urna eletrônica e passa a teclar suas opções.

Focus teve a coragem e a firmeza jornalística de apresentar no Ceará, pela primeira vez, os números da AtlasIntel ainda no final de agosto. A mais de um mês da eleição, evidenciava-se algo avassalador e não visto por nenhum outro instituto (leia aqui): Elmano atropelando e ultrapassando Roberto Cláudio.

Tratava-se de uma grande novidade. Quem é essa tal de AtlasIntel? Pesquisa via WEB? O que é isso? Ora, o instituto já vinha de uma longa lista de acertos dentro e fora do país. Inclua-se na lista o melhor desempenho entre todas as pesquisas da última eleição presidencial dos Estados Unidos, em 2020.

Que se diga: os números da Atlas divulgados pelo Focus foram solenemente ignorados pela imprensa local em geral. Os jornalões fizeram de conta que não viram. As redações de TVs e seus sites a relegaram.

Políticos incomodados enviaram provocações baratas ao editor do Focus e mensagens infantis como “Kkkks”, a representação vulgar de uma risada. Olhemos pra frente, uma das leis que regem o Focus.

Detalhe: Focus tem por norma publicar o resultados de todas as pesquisas que o mercado político oferece, incluindo, é claro, as contratadas por empresas de comunicação do Ceará (reguardando-se, claro, das pilantragens óbvias que pululam por aí).

Fazemos isso em nome da boa prática jornalística, mesmo que a recíproca não se reproduza em relação às pesquisas contratadas pelo Focus. O fato é que a caravana passou e os cães apenas ladraram.

As críticas aos primeiros resultados da Atlas no Ceará não nos afastou de investigar o por que de aquele instituto ver o que ninguém mais via. Focus passou a estudar com profundidade o trabalho da Atlas e avaliou que havia ali uma grande novidade no carcomido mundo das pesquisas. Por fim, fechou um acordo de exclusividade no Ceará.

Logos após a divulgação da primeira pesquisa Atlas/Focus (veja aqui), um componente novo atraiu as atenções: pela primeira vez na história do jornalismo cearense a análise dos números de um levantamento eram analisados em profundidade pelo própio dono do instituto. Foram mais de elucidativos 60 minutos, ao vivo, destrinchando os resultados com base no rigor técnico (relembre aqui).

Claro que essa pacote jornalístico gerou muitos incômodos. Surgiram reações mais grosseiras de alguns poucos, é verdade. Felizmente, a maioria, que costuma ser silenciosa, permaneceu atenta e na expectativa quanto ao desenrolar dos acontecimentos.

Como editor e fundador do Focus, digo o que sempre disse em toda a minha (já longa) trajetória como jornalista especializado na sempre muito delicada área política: não agimos como torcedor de arquibancada. Não militamos a favor de A, B ou C. A racionalidade é a linha mestra, a legalidade é o parâmetro de atuação e a democracia nos moldes concorrenciais, com plena liberdade de imprensa, é a bandeira principal.

Muito obrigado a todos

Para finalizar, vale a leitura de alguns insights de Andrei Roman, cientista com doutorado em Harvard, CEO e cofundador da Atlas Intlligence

“Não deixe o seu viés político te empurrar para passar o pano nos erros das pesquisas! Bolsonaro está conseguindo atacar a credibilidade dos institutos por conta de erros sistemáticos. Essa é a mais pura verdade dos fatos”.

“O monopólio Ipec/Datafolha precisa acabar. Mais de 24h depois da divulgação dos resultados de 1º turno, que comprovam que Atlas chegou sistematicamente mais próximo dos resultados em nível nacional e estadual, não existe nenhuma menção disso nos veículos dos grupos Globo e Folha”.

“Fui procurado para comentar sobre os resultados por FT, Bloomberg, BBC, Reuters, RFI. Mas não pelo Globo ou Folha de São Paulo. Ao longo de 2022, jornalistas desses veículos foram impedidos de divulgar qualquer menção ao trabalho da AtlasIntel. Essa censura precisa acabar”.

“Mantenho meu posicionamento de que as pesquisas eleitorais de véspera deveriam ser usadas como prognóstico, louvadas quando acertam e criticadas quando não acertam os resultados de eleições. Pesquisas compradas e pesquisas que erram tumultuam o processo democrático”.

“As pesquisas erraram! Atlas chegou mais próximo que qualquer outra e mesmo na nossa pesquisa Bolsonaro foi subestimado em 2pp e Lula superestimado 2pp. A diferença de 9 pontos no Atlas acabou sendo de 5 pontos no resultado. Precisamos encarar esse desfecho com honestidade”.

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.