Economia ou coronavírus? Mas, que tal o meio termo responsável?

O Governo do Ceará, a Prefeitura de Fortaleza e de outras cidades estão fazendo tudo certo. Claro que o objetivo é ganhar tempo, não permitindo a explosão de casos graves enquanto se estrutura o sistema de saúde.


O meio termo pode ser um bom conselheiro e uma atitude austera diante dos acontecimentos.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Em seu resumo diário, o Canal Meio trouxe um texto mostrando como está o “delicado” debate entre os defensores mais radicais das quarentenas e os que defendem que a economia precisa voltar a funcionar, deixando somente os mais velhos e com comorbidades recolhidos e devidamente assistidos.

Veja o texto em que o Meio coloca algumas das ponderações que questionam as quarentenas e medidas restritivas na economia. É evidente que o outro lado do debate já é bem conhecido, inclusive nos comentários feitos pela próprio texto a seguir.

Para ler com calma: Existe um debate delicado acontecendo — há especialistas importantes que questionam a decisão de colocar o mundo em quarentena. Um deles é John Ioannidis, o principal epidemiologista da Universidade de Stanford e um dos mais respeitados do mundo. Seu argumento é de que governos estão tomando decisões sem dados concretos — o número de testados no mundo é pequeno, não sabemos realmente quantos foram infectados e, portanto, qual o índice de mortalidade deste vírus SARS-CoV-2. Pode ser equivalente ao de uma influenza sazonal e, aí, parar o mundo traria impactos muito maiores na economia e na saúde mental.

David Katz, fundador do Centro de Prevenção de Doenças de Yale, é outro crítico. Se os dados sul-coreanos estiverem corretos, ele argumenta, 99% dos infectados sentem no máximo sintomas leves e não precisam de tratamento. É o país que mais testou. O caminho ideal, ele diz, talvez fosse o de concentrar testes em idosos, que são os mais vulneráveis, e não a população inteira. E isolar e proteger a eles. Isto permitiria que a economia retomasse e os recursos fossem concentrados onde há maior risco.

Thomas Friedman, o principal colunista do New York Times, compra o argumento e pergunta se os governos do mundo não estão sendo levados por um espírito de manada. Um foi, todos seguem. O debate é delicado e, cá no Meio, mencionamos com cautela o argumento contrário. As vozes minoritárias não necessariamente estão certas, as covas comunitárias no Irã não são fictícias, o colapso do sistema hospitalar no norte da Itália tampouco. Mas há um debate em curso.

Comentário Focus
Qualquer que for o caminho a ser adotado, é preciso ser baseado na ciência, na racionalidade e na escuta aos diversos setores (médicos, economistas, políticos e inciativa privada). Um possível realinhamento para que a economia volte a funcionar não pode ser assimilado sem os devidos cuidados, gradualidade e técnica.

Acima de qualquer coisa, é preciso continuar protegendo de forma ostensiva o público mais susceptível á manifestação mais grave da doença. Esse ponto é fundamental. E, por si só, isso já é uma tarefa de alta complexidade, principalmente nas áreas mais pobres das cidades, onde é impraticável o isolamento em casas com um ou dois cômodos, que abrigam famílias numerosas, sem serviço de esgoto e hábitos de higiene incompatíveis com a situação.

O Governo do Ceará, a Prefeitura de Fortaleza e de outras cidades estão fazendo tudo certo. Claro que o objetivo é ganhar tempo, não permitindo a explosão de casos graves enquanto se estrutura o sistema de saúde. Até aqui, aparentemente, se comparado a outras cidades do mundo, as coisas estão sendo bem suportadas, muito embora não se saiba ao certo se o nosso calendário de contágios pode ser comparado aos de outras sociedades.

Como disse um amigo empresário, é como o sujeito que busca o oásis no deserto e só tem um cantil com água. Tem que beber gole a gole, com austeridade, enquanto encontra o caminho a seguir, que pode mudar a cada encruzilhada.