Duro opositor parlamentar da ditadura, cearense Alencar Furtado morre aos 96 anos

Deputado federal pelo Paraná, o advogado e político optou por combater a ditadura usando como arma seus mandatos e sua capacidade de oratória.


O ex-deputado federal Alencar Furtado: seus discursos fragilizaram os ditadores.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Conhecido por sua oratória certeira, o advogado Alencar Furtado costumava fazer estragos na ditadura brasileira da década de 1970 quando ocupava os microfones da Câmara dos Deputados. Tanta era a repercussão de seus discursos e apartes que Ernesto Geisel lançou mão do infame Ato Institucional Nº 5 para cassar o mandato do então deputado federal eleito pelo Paraná.

Membro da chamada esquerda democrática, a dissidência da velha UDN que mais tarde geraria o PSB, Furtado nasceu em Araripe, no Cariri cearense. Em Fortaleza, compôs a época áurea da Faculdade de Direito. Graduado em 1950, logo depois foi morar em Paranavaí, no Paraná. Lá, fez uma brilhante carreira jurídica que o alçou à política.

Como o PSB, sigla que fundou no Ceará, sendo legalmente extinto pelo bi-partidarismo imposto ao País, após o golpe de 1964, ingressou no MDB e foi eleito suplente de deputado estadual em 1966. Eleito deputado federal em 1970 e 1974 chegou ao posto de líder de bancada. O mandato seguinte já foi cassado pelos militares.

Com a Anistia, foi novamente eleito deputado federal em 1982 pelo PMDB. Nessa fase, já não tinha a mesma energia abalado pela morte do filho. Após a eleição de Tancredo Neves para presidente da República, Alencar Furtado acabou por entrar em colisão com o seu partido ao disputar a presidência da Câmara dos Deputados contra Ulysses Guimarães em 1985. No pleito de 1986 disputou o governo do Paraná pelo PDT, mas foi derrotado por Álvaro Dias.