Demistas do Ceará jogam em silêncio nos bastidores e atropelam projeto de Mayra


Chiquinho Feitosa, ACM Neto e João Jaime Marinho: o jogo da política é um mundo à parte.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Mesmo tendo um tamanho apenas médio na composição da Câmara (28 dos 513 deputados) e do Senado (seis dos 81 senadores), o DEM se tornou o partido mais estratégico do País. Primeiro, por ter conseguido articular uma maioria caracterizada pela fragmentação partidária. E, por conseguinte, ter alcançado o feito de eleger o presidente das duas casas que formam o Congresso.

Presidir a Câmara e o Senado, naturalmente, já representa muito poder. Mais ainda quando o presidente da República abdica da articulação política que marcam as tradicionais relações entre o Executivo e o Legislativo. Jair Bolsonaro deixou um vácuo. Porém, o vácuo não perdura na política. Rapidamente o espaço é ocupado. E o foi.

A força renovada do DEM, que tem seu projeto nacional de poder (como é próprio dos partidos), já provoca efeitos nos estados. O Ceará entre eles. No espaço de cinco dias, o diretório estadual, comandado pelo ex-deputado Chiquinho Feitosa, foi dissolvido e remontado. A dissolução era parte de uma articulação para que a tucana e quarta colocada na disputa pelo Senado, Mayra Pinheiro, assumisse as rédeas do partido.

Porém, a coisa não se deu dessa forma. Nos bastidores, Feitosa e seu grupo se movimentaram em silêncio, com rapidez e, claro, com a experiência que lhes é peculiar. Foi o que faltou à Dra. Mayra, que antecipou movimentos em público e acabou atropelada pela decisão do DEM nacional que reconduziu Chiquinho Feitosa para o comando provisório no Ceará.

O xeque mate nas pretensões de Mayra Pinheiro se deu em Salvador, quando o prefeito ACM Neto, presidente nacional do DEM, deu um jeito de desmarcar encontro que havia agendado com a médica. Claro que entrou boi na linha. Aliás, uma boiada.

A propósito: interesse imediato em função das eleições municipais do ano que vem, o diretório do DEM em Fortaleza não é provisório. O comando, que está sob a influência política do deputado estadual João Jaime Marinho, foi eleito por convenção. Portanto, a dissolução não é apenas um ato de vontade do comando nacional.

O fato é que, muito provavelmente, haverá movimentos em torno do DEM do Ceará no período daqui até às convenções pré-eleitorais. Agora, o projeto de poder nacional da sigla colide com o de Ciro Gomes (PDT), líder mor do grupo que, desde 2006, detém a absoluta hegemonia política no Estado.

Para o projeto nacional do DEM, no momento, não há sentido em manter no Ceará o partido a reboque dos Ferreira Gomes. É como vitaminar um potencial inimigo. Aliás, um inimigo real já hoje. Vide as posições anti-reformistas do PDT e de Ciro em confronto com o DEM, o mais reformistas dos partidos. Portanto, no que pese a vitória, Chiquinho Feitosa e seu grupo pró RC, Cid e Camilo estão sob pressão.

Por enquanto, o comando nacional preferiu não mover peças no Ceará. Fará isso quando for adequado e, claro, se for adequado. Sempre de acordo com a dinâmica do processo político.

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