Datafolha: a dinâmica da política fotografada em Fortaleza

Com margem de erro de 3%, o instituto que é parte do Grupo Folha coletou as intenções de voto da fase mais madura da primeira semana de campanha de rádio e TV na Capital do Ceará.


No passado não tão distante, o resultado das pesquisas corria em conversa de pé de orelha após (ou até antes) a manchete do impresso.

Até o fim da tarde desta quinta-feira, 15, o Datafolha ainda finalizava as 812 entrevistas com eleitores de Fortaleza. Pela longa experiência que tenho com as pesquisas do instituto paulistano, que é parte do conglomerado que edita o jornal Folha de S.Paulo, sei que a pesquisa na Capital é jogo rápido. A coleta de dados em Fortaleza não tem a mesma complexidade de uma pesquisa de âmbito estadual.

Muito provavelmente, os dados (ou a maior parte deles) já estarão sendo tabulados no momento em que esse texto entrar no ar (veja a hora acima). A pesquisa Datafolha, uma encomenda da empresa jornalística O Povo S.A, pode sair a qualquer momento a partir desta noite de quinta-feira. Porém, é possível que se torne pública na sexta-feira, 16 (madrugada a dentro). Se não, na edição de domingo que, normalmente, sai na noite de sábado.

Havia um tempo em que uma ligação do governador do Ceará para um dirigente da Folha vazava o resultado antes mesmo de ser publicado pelo jornal contratante. Há tempos que as coisas deixaram de ser assim. Eu mesmo, então editor da Coluna Política do O Povo, avisava à direção do jornal quando os números haviam vazado e que era preciso ter uma conversa séria com a contratada.

Naquele tempo, décadas de 1980, 1990 e parte da 2000, a cidade só conhecia os resultados de uma pesquisa pelas páginas do jornal impresso, que eram repercutidos pelas emissoras de rádios e pelas conversas telefônicas. Hoje, o resultado do último Ibope (noite de quarta-feira) estava no Focus um minuto após a sua divulgação pela TV Verdes Mares. Uma hora depois, já havia o comentário dos resultados.

Do ponto de vista da imprensa especializada, a correta e independente leitura dos números de uma pesquisa eram, são e vão continuar sendo os grandes diferenciais de sempre.

Numa campanha curta como a de agora e com características pandêmicas, não há sentido em guardar os resultados de uma pesquisa estendendo a divulgação ao longo de três dias para ganhar volume de interesse de leitores. No segundo dia, os resultados já serão uma velharia. O mundo está girando rápido demais.

O fato é que o Datafolha fechará a super semana das pesquisas em Fortaleza. Já são conhecidos os números da Paraná Pesquisas e do Ibope. As três, numa sequência bem interessante de dias: o início do horário eleitoral. O Datafolha vai pegar a fase mais madura da primeira semana de campanha de rádio e TV.

Obviamente, o Focus estará bem atento. Fará suas análises por escrito e por lives.

Datafolha será assim: 812 eleitores pesquisados. A margem de erro máxima prevista para o total da amostra é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A influência de Lula, Ciro e Bolsonaro serão medidas. As gestões de RC e Camilo também. Além, é claro, das intenções de voto dos candidatos (FC).

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.