Como atuar para derrotar a pobreza, por Pedro Sisnando Leite


Pedro Sisnando Leite é economista com pós-graduação em desenvolvimento econômico e planejamento regional em Israel. Membro do Instituto do Ceará  e da Academia de Ciências Sociais do Ceará. É professor titular (aposentado) do programa de mestrado (CAEN) da UFC, onde foi também Pró-Reitor de Planejamento. No Banco do Nordeste, ocupou o cargo de economista e Chefe da Divisão de Estudos Agrícolas do Escritório Técnico de Estudos Econômicos. No período de 1995-2002, exerceu a função de Secretário de Estado de Desenvolvimento Rural do Ceará. Publicou cerca de 40 livros em sua área de especialização e escreveu muitos artigos para jornais e revistas.

Em novembro de 2006, a Santa Sé tomou a palavra nas Nações Unidas para assegurar que a erradicação da pobreza constitui um serviço necessário para a paz. Ao intervir ante o Comitê da Assembleia Geral da ONU, o Arcebispo Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé, aplaudiu a designação do Prêmio Nobel da Paz ao professor Muhammad Yunus, que ofereceu microcrédito para os pobres em Bangladesh (Índia). Ele também defende a ideia de que é possível aproveitar   o poder do mercado livre para resolver o problema da pobreza através de um novo conceito de empresa social, que poderá  transformar o capitalismo que conhecemos.(Um mundo sem pobreza,2007).

“O Laço entre paz e desenvolvimento é evidente para aqueles que sobre a terra têm de suportar as coações que passam sobre os pobres e que sabem, ás vezes por amarga experiência, que “O desenvolvimento é o novo nome da Paz” afirmou, citando a famosa frase do Paulo VI ( 1897 – 1978).    A pobreza em certas ocasiões surge como violação dos direitos humanos, donde, por esse  motivo, o Arcebispo Celestino Migliore, conclui que a comunidade internacional e os diferentes países deviam por “a erradicação da pobreza no coração das agendas legais e sociais”.

Na intervenção de Bento XVI, antes de rezar a oração mariana do Ângelus, no domingo 12 de novembro de 2006, pronunciou que “Cada um pode e deve atuar para derrotar a fome no mundo”. Ele disse, na ocasião, que o drama da fome continua sendo sempre muito grave. O último informe anual da FAO confirmou que mais de 80 milhões pessoas vivem em situação de desnutrição e que muitas pessoas, especialmente crianças, morrem de fome. Perguntou Bento XVI, “como fazer frente a esta situação que ainda que repetidamente anunciadas, não apresenta resolução. Ao contrário, por várias dimensões, se vai agravando?”

Certamente é necessário, continua o Santo Papa, eliminar as causas estruturais ligadas ao sistema de Governo da economia  mundial, que destina a maior parte das reservas do planeta a uma minoria da população. Depois de circunstanciada análise, baseada nos venerandos predecessores, Paulo VI e João Paulo II, o Papa Bento XVI, propõe uma orientação de grande atualidade política. Diz ele: “Para influenciar em grande escala é necessário converter o modelo de desenvolvimento global”. Requerem isso não só o drama da fome, mas também as emergências ambientais e energéticas. Neste particular é modelar a orientação cristã, ou seja: cada pessoa e cada família podem e devem fazer algo para acabar a fome do mundo adotando um estilo de vida e de consumo compatível com a salvaguarda da criação e com critérios de justiça para quem cultivar a terra de cada país.

Outro elemento importante é a persistência, as vezes esperada, da pobreza e do aumento da desigualdade entre ricos e os mais pobres. A Doutrina Social da Igreja  destaca que não se trata somente de distribuir mais adequadamente o que existe, mas de melhorar  as condições de produção e de buscar moralidades de um desenvolvimento com paz e benefício para todos. Neste sentido, a Doutrina Social da Igreja, conforme é exposto em capítulo do seu Compêndio, ensina as lições da edificação de uma sociedade que tem como centro o homem e não o dinheiro ou ideologia.

O tema principal das políticas sobre a pobreza deve ser a dignidade da pessoa humana, o valor absoluto da vida humana. É também como prioridade fornecer as condições para diminuição da violência em suas diversas formas.

Em síntese,  como diz  a encíclica Populorum Progressio (1967) o homem seja por si mesmo agente responsável de uma melhora  natural de seu progresso econômico e  moral e de seu desenvolvimento espiritual, sem paternalismo.