Cearense Nacional Gás compõe consórcio que comprou a estatal Liquigás por R$ 3,7 bilhões

No negócio que adquiriu a segunda colocada no mercado, a empresa do grupo Edson Queiroz compôs uma aliança com a Copagaz e o Itaúsa.


Vendas totais de GLP, registradas de Janeiro a Dezembro de 2017, segundo dados publicados no site da Agência Nacional de Petróleo.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Há anos entre os quatro maiores distribuidores de gás liquefeito (GLP) no Brasil, a cearense Nacional Gás Butano, que detém cerca de 20% do mercado, consolida sua posição ao participar do consórcio que comprou a estatal Liquigás por R$ 3,7 bilhões. No negócio que adquiriu a segunda colocada no mercado, a empresa do grupo Edson Queiroz compôs uma aliança com a Copagaz e o Itaúsa.

Para não ter problemas com o Cade em um mercado praticamente controlado por cinco empresas, a Copagaz, que detém menos de 10% de share, será a controladora da companhia formada pelo consórcio que adquiriu a empresa pertencente à Petrobras. O Itaúsa, do grupo Itaú, terá uma participação minoritária relevante, seguida pela Nacional Gás.

A Liquigás está entre as três maiores no mercado brasileiro de GLP. Sua saída do mercado atende a uma política de enxugamento promovida pela Petrobras. O negócio ainda não foi confirmado oficialmente. A líder do setor de GLP no Brasil é a empresa Ultragaz, do Grupo Ultra (postos Ipiranga), com cerca de 23,5% de share e que, em 2016, tentou comprar a Liquigás. A tentativa foi barrada pelo Cade para evitar concentração ainda maior.

“Ao se unir a um grupo com o Itaúsa, a Copagaz, que também controla empresas de mídia, ganha musculatura para expandir sua atuação no setor. A holding do Itaú Unibanco tem olhado o mercado de gás natural: fez parte do consórcio, como acionista minoritário na compra do gasoduto NTS, junto com a gestora canadense Brookfield, e chegou a fazer oferta pelo gasoduto TAG, que foi comprado pela francesa Engie por US$ 8,6 bilhões”, aponta reportagem do Estadão.