Catarata: Acometendo 120 mil brasileiros ao ano, doença é considerada a principal causa de cegueira tratável

“Existem vários tipos da doença, podendo atingir crianças recém-nascidas, jovens, adultos e, principalmente, idosos com faixa etária de 60 a 65 anos”, explica oftalmologista


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Equipe Focus
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Visão embaçada ou dupla, sensibilidade à luz, alterações na percepção visual das cores. Esses são somente alguns dos sintomas característicos da catarata. A doença, que é a principal causa de cegueira reversível no mundo, atinge, ao ano, 120 mil brasileiros. O dado é do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e serve de alerta a médicos e pacientes.

A catarata afeta uma estrutura chamada de cristalino, que é a lente natural do olho. Com o passar do tempo e o envelhecimento, ela vai se tornando opaca. Essa opacidade recebe o nome de catarata e pode gerar a perda progressiva da visão. O oftalmologista, especialista em catarata e membro do corpo médico da Clínica de Olhos Massilon Vasconcelos, David Almeida, explica que “existem vários tipos da doença, podendo atingir crianças recém-nascidas, jovens, adultos e, principalmente, idosos com faixa etária de 60 a 65 anos”.

A causa mais comum da doença é a senilidade, ou seja, o envelhecimento natural do indivíduo. O cristalino começa a mudar sua conformação a partir do nascimento e, a contar dos 40 anos, a lente natural começa a perder sua multifocalidade. Esse acometimento é nomeado por presbiopia, ou, como é comumente chamada, “vista cansada para perto”. Nessa fase, o cristalino ainda está transparente, por isso, não caracteriza a catarata, mas recebe a nomenclatura de síndrome do cristalino disfuncional. David alertou que “ainda há a possibilidade de diversos outros tipos de catarata, uma delas a congênita, que está presente no nascimento ou logo após ele”. Esse tipo pode ser percebido no Teste do Olhinho ou na consulta regular necessária ao oftalmologista nesse período.

O médico explica que “alguns fatores podem acabar desencadeando ou acelerando o aparecimento da catarata”, bem como:
– Histórico familiar;
– Tabagismo secundário;
– Trauma ocular;
– Uso de drogas medicamentosas sem o devido acompanhamento;
– Inflamações repetitivas intraoculares;
– Excesso de exposição ao sol, visto que é notado o surgimento precoce de catarata em populações que habitam países localizados próximos à Linha do Equador e que, assim, têm maior incidência de luz.

O acometimento tem ainda relação com algumas doenças sistêmicas, daí a importância do acompanhamento com o médico oftalmologista para a possibilidade de diagnóstico precoce e o início mais rápido dos tratamentos.

Quando procurar ajuda?

“Bem, o apontamento do CBO e outros dados, reafirmam que é preciso falar e ensinar sobre a doença. Os altos índices de cegueira associados à catarata podem ser um reflexo da procura tardia de orientação oftalmológica, fazendo assim que os indivíduos cheguem à cegueira, porém, essa é reversível com o tratamento adequado”, afirma Almeida. Mesmo não sendo possível prevenir a catarata, algumas ações podem auxiliar no afastamento dos fatores de risco:

– “Ir ao oftalmologista com a frequência adequada é o mais importante. Pelo menos, a cada 1 ano, visitar um especialista para fazer um check up ocular e saber se está tudo bem”, explica.
– Evitar o uso indiscriminado de medicações não prescritas por médicos;
– Prevenir traumas oculares;
– Usar proteção contra os raios solares e evitar se expor em excesso;
– Manter uma rotina e dieta saudáveis.

Tratamento

“Cirurgia é a solução. Com a pandemia, houve uma baixa nas realizações de cirurgias e as pessoas começaram a apresentar baixa visual, visão subnormal ou mesmo cegueira. Isso contribuiu para o surgimento de afecções psiquiátricas, então, esse procedimento melhora a qualidade de vida, minimizando doenças como a depressão”, diz o médico.

O procedimento, que tem como objetivo eliminar a catarata e reverter o possível caso de cegueira, ocorre por meio da troca do cristalino. A lente natural atingida pelo acometimento é substituída por uma artificial, que é chamada de lente intraocular. “O procedimento é relativamente rápido, possui baixo risco, não precisa de internação, é feito sob anestesia tópica (uso de colírios anestésicos) e é possível, até mesmo, corrigir qualquer erro de refração (miopia, astigmatismo ou hipermetropia) na maioria dos casos, isto é, quando não existirem contraindicações”, explica David.

“É importante ressaltar que a cirurgia de catarata assistida por laser é uma opção, de forma a ajudar na realização do procedimento, que é moderno e consiste no corte feito pelo próprio laser, oferecendo uma maior precisão”, diz Almeida, “os processos, a partir daí, são semelhantes: é realizada a retirada do cristalino e é feita a inserção da lente intraocular”.