Catanho vai compor secretariado; quem garante é o próprio Elmano

Não há clareza quanto ao cargo, mas a trajetória dos dois está entrelaçada e tem como eixo a deputada federal Luizianne Lins


Luizianne, Elmano e Catanho. Os sorrisos estampados e a imagem são de 2020, mas permanecem muito atual.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Aos poucos, o governador eleito Elmano de Freitas vai soltando nomes que vão compor sua equipe no Palácio da Abolição. A mais recente menção: Waldemir Catanho, que foi o secretário de Governo nas duas gestões de Luizianne Lins na Prefeitura de Fortaleza.

Elmano soprou o nome, mas dessa vez não foi para a imprensa. A fala, com certo grau de inflamação, se deu em um encontro ocorrido na semana passada com militantes do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (veja o vídeo ao fim do texto). Ao lado do governador eleito, a deputada federal reeleita Luizianne Lins. “Nós temos um governador sem-terra”, disse em certo momento.

Elmano e Catanho trabalharam juntos na gestão de Fortaleza. À época, pertenciam ao mesmo grupo político que tem Luizianne como liderança popular. A deputada federal exerceu papel crucial para viabilizar a candidatura petista ao Governo e, na sequência, retirar a candidatura de Catanho a deputado estadual em função de outro acordo, do qual falo a seguir.

Explica-se: com a candidatura de Elmano ao Governo, a sua cadeira na Assembleia ficava vaga. Era a chance de eleger um parlamentar oriundo do MST para o lugar. Daí, o acordo para que Catanho, mais vocacionado para o Executivo, desistisse da candidatura a favor de Manuel Missias Bezerra, que se elegeu herdando votos de Elmano e em dobradinha com Luizianne.

Atentem para o seguinte trecho da fala de Elmano: “Começou a discussão de que eu poderia ser candidato a governador e nos reunimos com o grupo político do qual fazemos parte. Eu quero destacar a importância da deputada Luizianne [Lins] para a construção desse entendimento político que nós fizemos. Da grandeza política que ela tem, de nós conversarmos com o companheiro Catanho para ele não ser candidato a deputado estadual por que nós iamos precisar dele na campanha como vamos precisar dele no Governo do Estado.

Na sequência, o governador eleito continuou: “Esse entendimento contruído com a direção do MST… o orgulho que eu tenho de poder chegar na direção nacional do MST, de poder chegar nos assentados e assentadas… e eu sei da festa. Nós temos um governador sem-terra e temos um deputado estadual sem-terra no Estado do Ceará”.

Eleito com 44.853 mil votos, Missias do MST é o primeiro sem-terra na Assembleia Legislativa do Ceará. Elmano tem antigas e profundas ligações com o MST, mas seu trabalho era na área jurídica, como advogado.

Diante da afirmação do governador eleito, qual o cargo a ser ocupado por Waldemir Catanho? Talvez a resposta esteja, por enquanto, só na cabeça de Elmano de Freitas. O fato é que a trajetória dos dois está entrelaçada até aqui.

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.